Novas Metas e Desafios na Câmara Legislativa do DF

Com o início dos trabalhos na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026, o governo de Ibaneis Rocha (MDB) enfrenta um duplo desafio: reorganizar sua base política e impulsionar projetos considerados essenciais. A reabertura das sessões foi marcada por uma certa desmobilização, com muitos deputados ausentes logo após o retorno. De fato, a atividade legislativa efetiva deve ganhar corpo apenas após o Carnaval.

Neste contexto, os deputados opositores não perderam tempo e rapidamente protagonizaram a sessão inaugural, onde a pauta incluiu pedidos de impeachment contra o governador e solicitações para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) relacionadas ao Banco de Brasília (BRB) e ao Banco Master.

Prioridades do Governo em 2026

Em busca de entender as prioridades da administração Ibaneis, a reportagem do g1 entrou em contato com o Palácio do Buriti e a Casa Civil, mas não obteve retorno até o fechamento deste artigo. Contudo, já está claro que a administração tem como meta enfrentar a crise orçamentária, que, segundo o governo, ameaça a saúde pública da capital.

Recentemente, Ibaneis Rocha anunciou a necessidade de cortes de gastos e reforçou que o governo adotará uma postura de austeridade, particularmente nas áreas da Saúde e Educação. Em janeiro, um decreto foi emitido, estabelecendo um teto mensal para os gastos dos órgãos do governo distrital, com todas as despesas exigindo autorização da Secretaria de Economia.

O que o Executivo Pretende Votar?

O deputado Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara do DF, destacou algumas das prioridades do governo para este ano. Entre elas, está a revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) em regiões estratégicas como SIA, Ceilândia e Taguatinga, além da tramitação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). A LUOS, por sua vez, é uma ferramenta crucial no Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal, regulando as construções permitidas em diferentes áreas.

Além disso, Hermeto salientou a intenção de avançar em projetos de lei voltados para a concessão de crédito e a regulamentação das licenças ambientais, com a expectativa de que tais medidas não só melhorem a arrecadação, mas também atendam a urgentíssimas políticas públicas. “Temos consciência da importância da регулиação das licenças ambientais, especialmente dado o nosso clima no Planalto Central”, afirmou.

A Agenda da Oposição

Por outro lado, a oposição ao governo está decidida a incluir na ordem do dia o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) do Distrito Federal. O deputado Max Maciel (PSOL) apontou que a meta é aprovar o projeto ainda no primeiro semestre, destacando a necessidade de intensificar audiências públicas para garantir uma participação mais efetiva da população.

O PDTU, que atua como um guia estratégico, oferece propostas e análises para aprimorar o transporte público na região. O plano prevê a criação de 847 km de ciclovias, 175 km de ciclofaixas e 28 km de ciclorrotas, além da instalação de bicicletários em locais estratégicos, como estações de metrô e terminais.

Clima de Polarização e Diálogo Necessário

A aproximação do fim do prazo para transferência de partidos lança um novo desafio sobre o clima de polarização na Câmara. Hermeto ressalta que esse ambiente não é exclusivo do DF, refletindo uma divisão maior na sociedade. “A CLDF é um microcosmo do que acontece no país, e isso pode resultar em conflitos mais intensos nos próximos meses”, alertou.

Em contrapartida, o deputado Iolando (MDB) enfatiza a urgência de um diálogo produtivo, apelando para a responsabilidade dos parlamentares em oferecer soluções reais às demandas da população. “Este é um momento que requer maturidade política e foco em resultados concretos”, destacou.

Governador Ausente na Abertura das Sessões

Surpreendentemente, o governador Ibaneis Rocha não compareceu à primeira sessão de trabalho da Câmara, tampouco enviou um representante. O presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), informou que essa decisão foi tomada em consenso, e ao invés da presença física do governador, uma carta foi lida, expressando o compromisso da gestão com o interesse público e o desenvolvimento do DF, enfatizando a colaboração entre Executivo e Legislativo.

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