Banco de Brasília Aumenta Investimentos em Patrocínios em Meio a Crise Financeira
O Banco de Brasília (BRB), sob a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), intensificou seu investimento em patrocínios, multiplicando os gastos em 14 vezes, mesmo diante de um rombo que supera R$ 5 bilhões relacionado ao caso Master. A informação foi confirmada pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, que investiga a situação financeira da instituição. Em 2025, o banco estatal destinou R$ 125,8 milhões para essa rubrica, levantando questões sobre a prioridade dada aos eventos e apoios comerciais.
Desde 2020, ano em que Ibaneis Rocha assumiu o governo, o BRB fez um contrato de patrocínio com o Flamengo, um dos clubes de futebol mais populares do Brasil, no valor de R$ 32 milhões anuais. Essa decisão provocou a atenção do Tribunal de Contas do Distrito Federal, que, a pedido do Ministério Público de Contas, questionou a regularidade do acordo. Vale lembrar que Ibaneis se declarou torcedor do Flamengo, o que levanta ainda mais suspeitas sobre a relação do governador com o clube.
Os documentos que sustentam o contrato de patrocínio foram mantidos em sigilo pelo banco, que justificou a operação como parte de um esforço para “nacionalização e fortalecimento da marca, geração de negócios, divulgação de produtos e ampliação de relacionamentos”. O contrato com o Flamengo permanece ativo, e há esforços em curso para sua renovação.
No último mês de setembro, o BRB desembolsou R$ 300 mil para o 51º Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, classificado como “relacionamento institucional”. Um evento similar, a Conferência Nacional de Segurança Pública ILAB, também recebeu R$ 500 mil do banco em julho passado. A despeito da crise financeira, o BRB também destinou R$ 1 milhão em agosto de 2025 para um show do cantor Roberto Carlos, durante o aniversário de João Pessoa, intitulado “Eu Ofereço Flores”.
Além disso, o banco investiu em eventos esportivos, gastando cerca de R$ 3,8 milhões apenas no terceiro trimestre de 2025, incluindo patrocínios aos pilotos Lucas Foresti e Enzo Elias na corrida Stock Car. Os altos gastos em patrocínios contrastam fortemente com as dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição, geradas pela compra de ativos da empresa Master.
O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, alertou à Polícia Federal que as perdas do BRB devido à compra de ativos do Master podem ultrapassar os R$ 5 bilhões. Investigações revelaram que o banco pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito consignado fraudulentas que foram vendidas pelo Master, fabricadas pela empresa Tirreno. Após a descoberta de irregularidades por parte do Banco Central, os ativos foram substituídos por outros do Master.
No ano passado, o BRB reportou a recuperação de cerca de R$ 10 bilhões. Entretanto, a situação financeira do governo do Distrito Federal se deteriorou, com um déficit registrado de R$ 926,5 milhões em 2025, conforme divulgado pelo Estadão. O cenário é ainda mais preocupante ao comparar com 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões, mostrando um agravamento nas contas públicas.
Para 2026, último ano do mandato de Ibaneis Rocha, o orçamento enfrenta grande pressão, agravada por despesas não quitadas do ano anterior que competirão por recursos com os gastos deste ano. O governo herdou R$ 1,7 bilhão em obrigações financeiras empenhadas em anos anteriores que ainda precisam ser cumpridas ou canceladas, o que coloca em xeque a saúde financeira do Distrito Federal.
