Trajetória que conecta periferia e política no Distrito Federal
Max Maciel (PSOL), aos 43 anos, carrega em seu percurso a experiência dos movimentos sociais de Ceilândia, cidade onde nasceu e ainda reside. Antes de assumir uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o pedagogo trilhou sua trajetória no movimento estudantil, no hip-hop e em organizações voltadas para a juventude das periferias. Essa vivência lhe revelou a distância que vai além do mapa entre o Plano Piloto e as regiões administrativas — refletida no acesso desigual a transporte, serviços públicos, empregos e equipamentos culturais.
“Nasci e ainda moro na Ceilândia, então cresci vendo pessoas que, assim como eu, tinham que lutar dez vezes mais para conseguir uma oportunidade ou ter acesso a direitos básicos”, relata Maciel em entrevista ao Notícia Preta.
Mandato que traduz periferia em políticas públicas
Eleito deputado distrital em 2022, na segunda tentativa, Max chegou à Câmara com o lema “A periferia é o centro”. Desde então, tem atuado em pautas que envolvem mobilidade, direito à cidade, cultura e orçamento público, buscando dar voz efetiva às demandas periféricas. Sua candidatura à reeleição se apresenta como uma continuidade desse processo, fruto de uma construção coletiva que extrapola o espaço institucional.
Para o parlamentar, a periferia não é o problema do Distrito Federal, mas parte fundamental da solução. Ele defende que as regiões administrativas sejam reconhecidas não apenas como destinatárias de políticas assistenciais, mas como protagonistas capazes de formular propostas e fiscalizar o poder público.
Conquistas e avanços legislativos
Durante seu primeiro mandato, Maciel usou audiências, reuniões e articulações para levar as reivindicações dos territórios à Câmara. Entre as leis de sua autoria destaca-se a nº 7.274, que reconheceu o hip-hop como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal, instituiu a Semana Distrital do Hip-Hop e responsabilizou o poder público por garantir espaços para o movimento.
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Fonte: tcheagora.com.br
Também assinou a Política Distrital de Atenção às Emergências Climáticas e de Combate ao Racismo Ambiental, promulgada em 2026, que prioriza comunidades marginalizadas em medidas de prevenção a desastres. Outra iniciativa importante foi a criação do Programa Cozinha Solidária Distrital, que apoia a distribuição gratuita de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Na proteção às mulheres, a Lei nº 7.462 tornou obrigatório o estudo da Lei Maria da Penha em concursos públicos distritais, criou mecanismos de acolhimento na administração pública e restringiu a atuação de servidores condenados por violência doméstica. Além disso, durante seu mandato, aprovou a licença mensal de até três dias para servidoras com sintomas menstruais graves e a Lei Vinícius Jr., que institui protocolos contra o racismo em estádios e arenas esportivas do DF.
Desafios e o caminho ainda por percorrer
Mesmo com essas conquistas, Maciel enfrenta obstáculos. A base do Governo do Distrito Federal se mostrou o principal entrave, e a execução orçamentária para as periferias permanece desigual. A Tarifa Zero, projeto que visa a gratuidade total no transporte público, avançou em comissão, mas ainda não virou política permanente. Para o deputado, seu mandato contribuiu para tirar essa pauta do campo do impossível, embora o custo e a qualidade do sistema sigam como desafios.
“A consolidação do transporte público 100% gratuito e com qualidade total no DF e o fim da precarização da saúde e da educação pública ainda são lutas em andamento”, admite.
Prioridades para um segundo mandato
Maciel pretende manter a Tarifa Zero como bandeira principal e ampliar seu foco para áreas como saúde, educação, cultura, esporte e juventude, sempre com o objetivo de aproximar os serviços públicos das comunidades. Na segurança, defende um modelo que proteja a população sem criminalizar a juventude negra e periférica. Além disso, busca fortalecer o enfrentamento à violência contra as mulheres e ampliar a acessibilidade.
Na saúde, critica a terceirização de serviços essenciais e reforça a necessidade de fortalecer o SUS. No campo da educação, propõe concursos públicos, valorização dos profissionais e melhorias na infraestrutura das escolas em todas as regiões administrativas.
O deputado acredita que seu segundo mandato deve ampliar a capacidade de articulação conquistada e transformar propostas ainda em disputa em políticas permanentes. A palavra que escolheu para esse ciclo é “maximizar” — um desafio para mostrar que a presença da periferia nas instituições pode gerar mudanças concretas, por meio da aprovação de projetos, garantia de recursos e fiscalização da execução pelo Executivo.
“O primeiro mandato mostrou que a periferia nunca foi problema, sempre foi solução. O segundo precisa mostrar que ninguém pensa melhor o funcionamento de toda a cidade do que a própria periferia”, conclui Maciel (PSOL).

