Panorama da disputa pelo governo do Distrito Federal
O cenário para o governo do Distrito Federal apresenta nove candidatos oficialmente anunciados pelos partidos políticos até o momento. Entre nomes com experiência em cargos eletivos e representantes de diferentes segmentos, a disputa promete movimentar o pleito local. O prazo para as convenções partidárias, etapa em que os partidos escolhem seus representantes, encerrou-se em 5 de julho. Agora, as legendas têm até 15 de agosto para registrar os candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As eleições contarão com primeiro turno em 4 de outubro e, caso necessário, o segundo turno será realizado em 23 de outubro. Além do governo do DF, os eleitores votarão para presidente, senador (com dois votos permitidos, desde que em candidatos diferentes), deputado federal e distrital.
Os candidatos e suas trajetórias
Celina Leão (PP)
A atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão, disputa a reeleição. Com formação em administração e direito, Celina tem 49 anos e iniciou sua carreira política em Brasília, embora tenha nascido em Goiânia (GO). Eleita vice-governadora em 2023 na chapa do então governador Ibaneis Rocha (MDB), assumiu o cargo em março deste ano quando Ibaneis se afastou para concorrer ao Senado, candidatura que ele posteriormente desistiu.
Antes do mandato atual, Celina atuou como deputada distrital entre 2011 e 2019, chegando a presidir a Câmara Legislativa do DF. Entre 2019 e 2022, cumpriu mandato como deputada federal. Seu candidato a vice-governador é Gustavo Rocha, do Republicanos.
Elisson Ferreira (Agir)
Natural de Taguatinga (DF), Elisson Ferreira tem 39 anos, é jornalista e empresário, com pós-graduação em análise e marketing político. Sua experiência inclui atuação nas áreas de comunicação e relacionamento institucional na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do DF. Esta será sua primeira candidatura a cargo eletivo. O subtenente da Polícia Militar do DF, Sérgio Prado, é seu vice na chapa.
José Roberto Arruda (PSD)
O ex-governador José Roberto Arruda é o nome do PSD para a disputa. Após 15 anos afastado da política, ele retorna como candidato. Com formação em engenharia, Arruda já foi deputado federal, senador, chefe de gabinete e secretário de Obras no governo de Joaquim Roriz, além de ter ocupado cargos no Ministério de Minas e Energia e na Companhia Energética de Brasília (CEB).
Contudo, a candidatura de Arruda ainda enfrenta incertezas devido a uma condenação em 2024 relacionada à Operação Caixa de Pandora, que o torna inelegível até 2032. O julgamento sobre sua elegibilidade está previsto para ocorrer após o prazo final de registro dos candidatos, em 15 de agosto. O PSD ainda não definiu o nome do candidato a vice-governador.
Kiko Caputo (Novo)
Francisco Queiroz Caputo Neto, conhecido como Kiko Caputo, é advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Distrito Federal, tendo presidido a seccional entre 2011 e 2012. Foi integrante do Conselho da República entre 2018 e 2020, órgão que aconselha a presidência da República, e exerce cadeira no Conselho Federal da OAB desde 2018, cargo que deixou para disputar o governo.
Integrante da tradicional família Caputo Bastos no meio jurídico do DF, Kiko é irmão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Guilherme Augusto Caputo Bastos. O partido ainda não anunciou o candidato a vice-governador para sua chapa.
Leandro Grass (PT)
Ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, Leandro Grass deixou o cargo para concorrer ao governo do DF. Ele foi eleito deputado distrital em 2018 e, nas eleições de 2022, candidatou-se pelo Partido Verde (PV), conquistando o segundo lugar com 434 mil votos (26,25%), ficando atrás do então governador Ibaneis Rocha.
Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2025, Grass ainda não definiu o nome do vice em sua chapa.
Paula Belmonte (PSDB)
Deputada distrital e procuradora-adjunta na Procuradoria Especial da Mulher (PEM) na Câmara Legislativa do DF, Paula Belmonte também foi deputada federal entre 2019 e 2023. Mãe de seis filhos, iniciou sua trajetória política após a perda de seu filho Arthur, de dois anos, e tem pautado sua atuação na defesa da infância.
Ela representa a federação PSDB-Cidadania, que ainda não anunciou o vice para a chapa.
Professor Robson (PSTU)
Robson Raymundo, conhecido como Professor Robson, é docente da rede pública do Distrito Federal há mais de 20 anos e ativista do movimento negro. Esta é sua segunda candidatura ao governo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Sua trajetória política inclui ativismo estudantil e sindical.
O professor aposentado Ricardo Guillen é o candidato a vice-governador na chapa.
Ricardo Cappelli (PSB)
Ex-chefe da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli concorre pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ganhou destaque nacional em 2023 ao assumir a intervenção federal no Distrito Federal após o atentado de 8 de janeiro. Indicado pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, com quem trabalhou no Maranhão, Cappelli busca a governança da capital federal.
Samara Mineiro (UP)
Samara Mineiro representa a Unidade Popular (UP) na disputa pelo governo do DF. Seu vice é Thaís Oliveira, técnica administrativa em educação do Instituto Federal de Brasília (IFB), formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB) e ativista na luta pelos direitos das mulheres.
Próximos passos da disputa eleitoral no DF
Com os candidatos definidos e os prazos regimentais em curso, o Distrito Federal se prepara para uma eleição que renovará mandatos e definirá a administração local para o próximo período. O registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral ocorre até 15 de agosto, estabelecendo a lista definitiva para o pleito em outubro.
O resultado das votações terá impacto direto na condução das políticas públicas e na gestão administrativa do DF, influenciando áreas como segurança, saúde, educação e infraestrutura. O próximo movimento político será a consolidação das chapas e a intensificação das campanhas eleitorais até o início de outubro.

