Espetáculo teatral aborda feminicídio em escolas públicas de Sobradinho
O drama “Os Sapatos que Atravessam a Rua” utiliza a simplicidade de um par de sapatos esquecidos para despertar a reflexão sobre a violência doméstica e o feminicídio entre estudantes da rede pública de Sobradinho. Com seis sessões programadas, o espetáculo será apresentado no Centro de Ensino Médio 02 de Sobradinho (CEM 02) em 06 de agosto e no Centro de Ensino Fundamental 01 de Sobradinho (CEF 01) em 20 de agosto. O projeto é financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).
História sensível e simbólica que convida à reflexão
Escrito e dirigido por Áurea Liz, o espetáculo tem como protagonista Mió, uma sapateira de 65 anos interpretada por Gelly Saigg. Herdando o ofício do pai, Mió observa diariamente as pessoas atravessarem a rua para deixar seus sapatos na pequena banca de consertos onde trabalha. Entre esses calçados, um par permanece esquecido, simbolizando uma ausência definitiva, pois sua dona nunca voltou para buscá-lo.
Sem recorrer ao sensacionalismo, a peça usa o silêncio, a memória e objetos do cotidiano para revelar a história de uma mulher vítima de feminicídio, promovendo identificação e reflexão entre os jovens espectadores.
Diálogo e acolhimento após as apresentações
Ao término de cada sessão, é realizada uma roda de conversa que aborda temas como violência doméstica, redes de apoio, abandono e envelhecimento. Essa iniciativa integra a experiência artística ao contexto vivido pelos estudantes, criando um ambiente seguro para diálogo e conscientização.
Segundo a atriz Gelly Saigg, proponente do projeto, a obra contribui para que os jovens reconheçam diferentes formas de violência, entendam a importância do acolhimento e descubram caminhos para romper ciclos de silêncio.
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Arte como instrumento de prevenção e escuta
Na peça, a banca de sapatos de Mió transcende sua função original e se transforma em um espaço de cuidado e resistência. A ação de atravessar a rua representa também a disposição para olhar o outro e ouvir o que frequentemente permanece oculto.
Com uma abordagem simbólica e sensível, o espetáculo promove a discussão do feminicídio sem perder a gravidade do tema, reforçando o papel da cultura na prevenção da violência.
Impacto e reconhecimento no Distrito Federal
O projeto já percorreu escolas públicas em Samambaia, Sobradinho e Ceilândia, sempre acompanhado por rodas de conversa que estimulam a participação e o diálogo entre estudantes e profissionais da educação. Os resultados positivos evidenciam a importância de ampliar a circulação da peça e fortalecer ações que promovam a formação cidadã nas escolas.
Além da repercussão junto às comunidades escolares, “Os Sapatos que Atravessam a Rua” recebeu destaque cultural ao vencer a 3ª edição do FestCaras, festival de artes cênicas do Gama. A dramaturga Áurea Liz e a atriz Gelly Saigg foram homenageadas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo impacto da obra na integração entre arte, cultura e educação.
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Acessibilidade integrada para ampliar o alcance
O projeto investe em recursos que garantem o acesso de pessoas com deficiência, incluindo sessões com interpretação em Libras, audiodescrição simultânea, programas em Braille, vídeos legendados e reconhecimento tátil do cenário e figurinos. Essa preocupação faz parte da concepção do espetáculo, assegurando uma experiência autônoma e de qualidade para todos os públicos.
A equipe responsável é composta majoritariamente por mulheres e inclui profissionais com deficiência, reunindo talento em diversas áreas como produção, comunicação, música, iluminação, caracterização e acessibilidade.
Foco na comunidade escolar e mobilização
As apresentações são direcionadas aos estudantes e à comunidade escolar previamente mobilizada pelas instituições de ensino participantes, reforçando o compromisso com a descentralização cultural e o fortalecimento do diálogo nas escolas públicas do Distrito Federal.
Ficha técnica
Gelly Saigg – Atriz
Áurea Liz – Dramaturgia e Direção
Moara Barbosa – Produção Executiva
O Carcará – Coordenação Administrativa
Ale Capone – Consultoria de Acessibilidade
Patrícia Albuquerque – Interpretação em Libras
Jane Menezes Cinema Cego – Audiodescrição
Cruziá Comunicação – Design, Gestão de Redes Sociais, Fotografia, Captação e Edição de vídeo
Miccael Grandis – Assistência de comunicação
Ana Luiza Aguiar – Produção de Conteúdo
Alexandra Vinagre – Caracterização e maquiagem
Tauana Barros – Iluminação
Vitor Barbosa – Operação de som e Trilha sonora original
Pedro Barbosa – Coordenação Técnica e Trilha sonora original
Monyelle Faria – Assistência de Produção
Fabiana Paula – Contrarregagem e assistência de produção
Charlotte Vilela – Assessoria de imprensa

