Despedida e Novos Desafios
No dia 30 de outubro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), oficializa sua saída do cargo, após um período de mais de sete anos à frente do governo. O evento ocorrerá na Câmara Legislativa e marcará a transição do poder para Celina Leão (PP), atual vice-governadora e pré-candidata ao governo do DF nas próximas eleições. A saída de Ibaneis ocorre em um momento conturbado, no qual ele se prepara para concorrer ao Senado nas eleições de 2026, trazendo à tona uma série de polêmicas que marcaram sua gestão.
A trajetória política de Ibaneis começou de forma surpreendente, quando em 2018 ele foi eleito governador, derrotando o então governante Rodrigo Rollemberg (PSB) no segundo turno. Sem experiência política anterior, Ibaneis se destacou como uma figura outsider, promovendo uma mensagem de renovação e criticando a política tradicional.
Gestão em Tempos de Crise
Nos primeiros anos de seu governo, o foco de Ibaneis foi em obras e regularização fundiária, tentando estreitar laços com o setor produtivo. No entanto, a pandemia de Covid-19 apresentou um desafio sem precedentes. Entre março de 2020 e abril de 2022, Brasília registrou cerca de 700 mil casos de infecção e 11,6 mil mortes. Durante esse período, o governador enfrentou críticas tanto de empresários quanto do governo federal por suas decisões em relação às medidas de contenção da doença.
A gestão da pandemia foi marcada por tentativas de equilíbrio entre restrições e flexibilizações, culminando em decisões que muitas vezes se mostraram impopulares. Ibaneis chegou a comparar a Covid-19 a uma gripe, alinhando-se ao discurso do então presidente, Jair Bolsonaro. Com o aumento dos casos, no entanto, o governo teve que reverter algumas dessas decisões, resultando em um clima de tensão e incerteza.
Reeleição e Repercussões dos Atos de 8 de Janeiro
Em 2022, Ibaneis foi reeleito em um primeiro turno avassalador, consolidando sua influência na Câmara Legislativa. Contudo, poucos dias após a vitória, os atos golpistas de 8 de janeiro impactaram sua gestão de maneira significativa. O governador foi afastado temporariamente do cargo por ordem do STF, em um episódio que evidenciou a fragilidade da segurança pública no DF.
Embora tenha conseguido retornar ao cargo posteriormente, a crise deixou marcas profundas em sua administração. O surgimento de uma CPI para investigar os acontecimentos de 8 de janeiro expôs as vulnerabilidades da gestão de Ibaneis, que passou a ser caracterizada por um discurso defensivo e voltado à preservação de sua própria posição.
Crise do BRB e Banco Master
Na reta final de sua gestão, Ibaneis enfrentou um novo desafio: a polêmica envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Reportagens destacaram a complexa relação entre os dois bancos e levantaram questões sobre as negociações financeiras realizadas durante o governo. O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, citou Ibaneis em um depoimento à Polícia Federal, colocando o governador no centro de uma investigação sobre possíveis irregularidades.
Além disso, a atuação de um escritório de advocacia ligado a Ibaneis em negociações financeiras relacionadas a uma empresa sob investigação intensificou a crise. Os desdobramentos desse caso podem impactar a trajetória política do governador, que está prestes a embarcar em uma nova fase de sua carreira.
Reflexões sobre o Legado de Ibaneis
Ao deixar o cargo, Ibaneis Rocha deixa um legado marcado por contrastes. De um lado, a promessa de renovação e avanço em questões de infraestrutura; do outro, a sombra de crises que abalaram sua administração e mancharam sua imagem política. O que será mais lembrado na história do Distrito Federal? As conquistas ou os escândalos? Com sua candidatura ao Senado se aproximando, Ibaneis terá que enfrentar os desafios do passado e conquistar a confiança do eleitorado mais uma vez.

