O Crescimento do Setor de Tecnologia no DF

Na última terça-feira (3/2), empresários e representantes de organizações do setor de tecnologia e informação do Distrito Federal se reuniram com o secretário-chefe da Casa Civil, José Humberto Pires, no Palácio do Buriti. Durante o encontro, eles destacaram o crescimento acelerado da área, que não apenas gera empregos, mas também demanda políticas públicas que priorizem as empresas locais.

O presidente do Grupo de Fortalecimento da Tecnologia da Informação do DF (GForTI DF), Jarbas Machado, esteve à frente da discussão, acompanhado por dirigentes de sindicatos, associações e institutos associados. Ele enfatizou que o setor de tecnologia da informação e comunicação no DF já conta com 43.768 empregos formais, com um salário médio de R$ 5.772,17.

Além disso, o setor atingiu um impressionante volume de vendas de serviços de TI de R$ 17 bilhões em 2025, um aumento significativo em relação aos R$ 12,83 bilhões do ano anterior. Atualmente, há 15.926 CNPJs ativos na área, sendo que 25,24% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs).

A Relevância do Setor de Tecnologia para o Desenvolvimento Local

Jarbas Machado também comentou que o setor de tecnologia subiu no ranking de arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), passando da terceira para a segunda posição entre 2024 e 2025, conforme dados fornecidos pelo SindiSei. Segundo ele, essa evolução é reflexo da transformação digital que permeia todos os aspectos da sociedade. “Estamos vivenciando uma era em que a tecnologia se tornou o principal investimento de empresas, indústrias e governos”, destacou.

Apesar do crescimento notável, Machado alerta para o desafio da falta de mão de obra qualificada. “Existe um déficit muito grande de profissionais. A demanda é alta, e os serviços estão cada vez mais inovadores, mas muitas vezes falta pessoal capacitado para atender essa demanda”, afirmou.

Ele também ressaltou que Brasília possui uma vocação natural para o setor, dada sua história como sede do governo federal e a concentração de serviços públicos e administrativos. “O Distrito Federal abriga empresas com produtos e serviços que competem em nível nacional e até internacional, o que é uma característica única da cidade”, acrescentou.

Desafios e Oportunidades para o Futuro do Setor

Machado acredita que o fortalecimento do setor de tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência econômica do Fundo Constitucional, que atualmente representa cerca de 40% das receitas do DF. “A tecnologia pode ser uma vertente essencial para diminuir essa dependência e fortalecer a economia local”, argumentou.

Ao abordar o impacto do crescimento do setor na vida da população, o presidente do GForTI ressaltou que, à medida que o setor se expande, há um aumento na circulação de recursos na economia local, o que melhora a qualidade de vida e amplia oportunidades de trabalho.

No entanto, as empresas do DF enfrentam concorrência acirrada de outros estados e até mesmo de outros países. Machado mencionou casos de polos tecnológicos consolidados, como o Porto Digital em Recife, além de centros em São Paulo e Goiás, que têm investido significativamente nas suas áreas. “Esses estados atraem mão de obra qualificada e buscam profissionais de todo o Brasil. O DF também perde talentos para esses polos mais estruturados”, explicou.

Propostas para Incentivar as Empresas Locais

Apesar do desenvolvimento do setor, a falta de uma política clara de incentivo e parceria com o governo local é um obstáculo. Durante a reunião, um dos principais pontos debatidos foi a criação de políticas que priorizem as empresas do DF nas contratações públicas, semelhante ao que já ocorre em outras regiões. “Atualmente, não existe uma política no GDF que priorize a aquisição de produtos e serviços de empresas locais. Quando as ofertas de todo o país competem no mercado local, é difícil para as pequenas e médias empresas do DF se destacarem”, destacou Machado.

Ele defendeu que a preferência por empresas locais poderia impulsionar a economia da capital e fomentar o desenvolvimento tecnológico. “Precisamos desenvolver Brasília e alavancar nossas empresas. Essa política precisa ser revista”, sugeriu.

Uma nova reunião está agendada para março, com o intuito de discutir a formulação de uma política de tecnologia que busque integrar governo e empresas locais. “O governo já reconhece a importância do setor de tecnologia para o DF. Essa parceria pode ser o impulso necessário para colocarmos o Distrito Federal em pé de igualdade com os grandes polos tecnológicos do país”, concluiu Machado.

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