O Dilema Econômico do Distrito Federal
O Governo do Distrito Federal (GDF) se vê diante de uma decisão difícil: desembolsar R$ 4 bilhões para salvar o Banco de Brasília (BRB) de uma crise gerada por gestões controversas, incluindo tentativas de aquisição de outras instituições financeiras. Para se ter uma noção, esse montante corresponde a cerca de 6% do orçamento anual do DF.
O verdadeiro impacto, no entanto, vai além dos números. Grande parte do orçamento é comprometida com despesas fixas, como salários e custos operacionais. Assim, os R$ 4 bilhões não apenas representam a totalidade dos investimentos disponíveis, mas também simbolizam uma oportunidade perdida que poderia ter transformado Brasília.
Custo de Oportunidade e suas Consequências
O conceito de custo de oportunidade é essencial para entender essa escolha. Cada real destinado ao resgate do BRB é um real que não será investido em áreas críticas, como saúde, educação, moradia e segurança. Quando analisamos os números com calma, o contraste se torna alarmante.
Com esse valor, o DF poderia, por exemplo, enfrentar o grave déficit habitacional, que supera 100 mil famílias na fila da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB). Esses R$ 4 bilhões poderiam ser usados na construção de mais de 22 mil moradias populares ou subsidiar 266 mil famílias a adquirirem a casa própria por meio do cheque moradia, superando em muito a demanda atual.
Transformando Brasília com Investimentos Estruturais
Na prática, esses recursos poderiam zerar o déficit habitacional do DF. Regiões como Sol Nascente, Pôr do Sol e Arniqueiras poderiam ser totalmente urbanizadas com drenagem, esgoto, pavimentação e iluminação pública. Assim, o que mais limitaria esse progresso seria a rapidez da construção, não a disponibilidade de recursos.
O setor de saúde também se beneficiaria enormemente. Com R$ 4 bilhões, o GDF poderia construir e equipar cerca de 20 hospitais de grande porte, mais do que dobrando a atual rede pública de saúde. Caso a opção fosse por unidades de pronto atendimento, seria possível viabilizar 202 UPAs ou 333 novas UBSs, proporcionando serviços mais próximos da população e aliviando a sobrecarga nas emergências.
Mobilidade Urbana e Educação: O Impacto de R$ 4 Bilhões
Na questão da mobilidade urbana, que é uma preocupação diária para os brasilienses, esses R$ 4 bilhões poderiam finalmente realizar promessas que vêm sendo postergadas. Essa quantia é suficiente para levar o metrô até a entrequadra 108/109 da Asa Norte ou concluir expansões em Ceilândia e Samambaia, beneficiando diariamente centenas de milhares de pessoas. Além disso, seria viável implementar a tarifa zero no transporte público, garantindo gratuidade por um ano inteiro.
No campo educacional, os números são impressionantes. O custo médio de uma creche pública no DF é de aproximadamente R$ 5 milhões. Com R$ 4 bilhões, o GDF poderia construir mais de 700 creches, universalizando o atendimento para a primeira infância e eliminando filas por vagas, o que teria um efeito positivo significativo na redução das desigualdades e na inclusão das mulheres no mercado de trabalho.
Reflexões Finais sobre a Gestão dos Recursos Públicos
Estes não são meros números contábeis. Eles representam hospitais que poderiam ser construídos, moradias que deixariam de ser sonhos e estações de metrô que ainda estão apenas nos planos.
Ainda que uma intervenção federal ou a liquidação do BRB possam trazer consequências negativas, como a queda no crédito imobiliário e aumento do desemprego, é crucial reconhecer que a população brasilienses está sendo responsabilizada por erros de gestão em uma instituição onde a interferência política é evidente, como no caso do Governador Ibaneis Rocha.
Salvar o BRB pode ser uma necessidade, mas é fundamental não ignorar as implicações dessa decisão. Desviar R$ 4 bilhões da economia real resultará em filas nos hospitais, horas em congestionamentos, crianças sem creche e famílias sem moradia.
A questão que se coloca não é apenas se devemos ou não resgatar o BRB. A pergunta mais relevante é: quem arcará com os custos desse salvamento e quem ficará desassistido devido a essa escolha?
