Casos de Recusa em Aulas de Natação Levantam Questões sobre Inclusão
No último dia 2, uma mãe do Sudoeste, no Distrito Federal, registrou uma ocorrência policial denunciando a recusa da matrícula de seu filho de 6 anos em aulas de natação em uma academia da região. A negativa, segundo a mulher, ocorreu após informar que a criança foi diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA).
A servidora pública Águida Figueiredo relatou que a academia justificou a recusa afirmando que a criança precisaria de acompanhamento individual durante as aulas, priorizando sua segurança e bem-estar. A comunicação foi feita por meio de uma mensagem, na qual a instituição deixou claro que não possui um profissional exclusivo disponível para tal acompanhamento, gerando indignação na mãe.
Sentindo-se discriminada, Águida desabafou: “Meu filho foi discriminado e isso não dá para aceitar mais em pleno século 21. Tinham monitores disponíveis, meu filho não estava demandando nenhuma necessidade especial.” A declaração ressalta a importância da inclusão e do respeito às diferenças em ambientes que deveriam ser acolhedores.
A academia Unique, em resposta à situação, afirmou que as aulas experimentais são uma oportunidade para as crianças conhecerem o programa, além de permitir que a equipe avalie se há condições adequadas e seguras para a participação nas atividades coletivas. A instituição defende sua postura de agir com responsabilidade ao não oferecer um serviço para o qual não possui a estrutura necessária.
Esse episódio levanta questões pertinentes sobre a aplicação da Lei Brasileira de Inclusão e da Política Nacional do Autista, que garantem o direito à participação em atividades educacionais, esportivas e de lazer sem qualquer forma de discriminação. A legislação busca assegurar que crianças, independentemente de suas condições, tenham acesso a oportunidades iguais e dignidade em todos os contextos.
O incidente foi registrado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes por Discriminação (Decrin), onde a mãe da criança e o coordenador da academia foram ouvidos. A delegada Thalita Nóbrega informou que as imagens do circuito interno da academia estão sendo analisadas e que testemunhas que estavam presentes na aula também serão convocadas nos próximos dias para depor. Este tipo de investigação é essencial para entender a situação e garantir que direitos não sejam violados.
