Estratégias para o BRB e o GDF em Tempos Desafiadores

À frente da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (Seec-DF) há menos de um mês, Valdivino Oliveira participou do programa CB.Poder, promovido pelo Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, na última segunda-feira (27/4). Durante a conversa com as jornalistas Samanta Sallum e Ana Maria Campos, ele abordou as ações do Governo do Distrito Federal (GDF) para regularizar as contas do Banco de Brasília (BRB) e as finanças do próprio governo. Oliveira destacou que o foco de sua gestão será a redução de gastos em áreas consideradas não essenciais, com o intuito de evitar um colapso financeiro até o fim do ano.

Oliveira, ao ser questionado sobre como a secretaria poderia ajudar na recuperação do BRB, enfatizou a necessidade de aumentar o fluxo de caixa do governo. O BRB, sendo o banco oficial do GDF, é onde os recursos são depositados e os servidores recebem seus pagamentos. “Precisamos fortalecer a liquidez do banco, pois o GDF enfrentou dois a três anos de déficit”, afirmou. O objetivo é garantir um superávit que permita ao governo ter uma margem de segurança para o BRB, visando a recuperação do banco até o prazo estipulado pelo Banco Central, que termina em maio.

Transformando Contas Vermelhas em Azuis

O secretário ressaltou que sua missão envolve transformar as contas deficitárias do GDF em superávits, o que indiretamente beneficiaria o BRB. “Estamos fazendo um trabalho intenso para racionalizar os gastos”, declarou. Recentemente, a governadora Celina Leão assinou um decreto com cortes significativos de despesas, uma medida essencial para garantir um fluxo de caixa saudável.

Sobre os impactos da situação do BRB, Oliveira afirmou que a fragilização do banco poderia afetar o sistema financeiro não apenas do Distrito Federal, mas de todo o país. “Salvar o BRB significa fortalecer o sistema financeiro como um todo”, disse, destacando a importância de encontrar ativos que possam garantir ao banco uma gestão financeira estável.

Capacitação de Recursos: Securitização da Dívida Ativa

Um dos recursos discutidos pelo secretário é a criação de um fundo gestor para securitizar a dívida ativa do DF, que atualmente gira em torno de R$ 52 bilhões. “Vamos transformar esses recebíveis em títulos, assim como está previsto um fundo imobiliário com imóveis”, explicou. Oliveira mencionou que, embora uma parte das dívidas seja de difícil recuperação, ainda existe a possibilidade de criar um fundo significativo.

Em relação ao financiamento, o secretário acredita que tanto a securitização da dívida quanto um empréstimo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) podem ser ferramentas complementares para repor o recurso perdido pelo BRB devido à questão do Banco Master, que resultou em um provisionamento de aproximadamente R$ 8 bilhões.

Urgência nas Medidas e Diagnóstico do Déficit

Valdivino Oliveira reconheceu a urgência em implementar medidas que atendam às exigências do Banco Central, revelando que o governo está correndo contra o tempo para solucionar a situação até o fim de maio. “As operações do mercado financeiro não ocorrem rapidamente, mas estamos determinados a apresentar o BRB como um banco saudável”, afirmou. Ele enfatizou a importância de fechar 2026 com superávit, já que a partir de 2023 o GDF começou a enfrentar déficits significativos.

O secretário atribuiu essa fragilidade no orçamento do GDF a uma gestão anterior descontrolada, destacando que, em 2024, o déficit foi superior a R$ 1 bilhão e se repetiu em 2025. “Estamos implementando controles rigorosos para cortar despesas supérfluas e alocar recursos em áreas prioritárias, como saúde e zeladoria”, completou.

Finanças do DF e Aumento de Impostos

Atualmente, o orçamento do GDF é de R$ 48 bilhões, com uma previsão de gastos de custeio em R$ 16 bilhões. Oliveira mencionou que os gastos previstos estão acima desse limite, o que poderia levar a um déficit de R$ 5 bilhões. No entanto, ele assegurou que não haverá aumento de impostos, destacando a capacidade da equipe de auditores e fiscais em encontrar soluções para aumentar a eficiência da administração pública.

Oliveira descreveu a economia do DF como uma “máquina desgovernada”, enfatizando que, diante de déficits consecutivos, era necessário um ajuste rigoroso nas contas. “Eu já enfrentei desafios financeiros em outros momentos, mas nada se compara à gravidade da gestão orçamentária atual. A responsabilidade é enorme”, concluiu, reafirmando seu compromisso em preservar o Fundo Constitucional, elemento vital para a economia local e que deve ser defendido com rigor nas discussões no Congresso.

Share.
Exit mobile version