Brasil se Une a Programa Internacional para agricultura sustentável da OCDE
Nesta sexta-feira (24), o governo brasileiro formalizou sua adesão ao Programa de Pesquisa Cooperativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), focado em Agricultura e Sistemas Alimentares Sustentáveis, conhecido como CRP. A entrega da carta de adesão ocorreu em uma reunião na sede da OCDE, em Paris, com a presença do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, e do embaixador Sarquis J. B. Sarquis, representante do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas na cidade. Do lado da OCDE, participaram o secretário-geral adjunto, Yasushi Masaki, e a diretora de Comércio e Agricultura, Marion Jansen.
A incorporação ao CRP representa um passo significativo para o Brasil, reforçando sua contribuição em pesquisas agropecuárias, especialmente voltadas para a agricultura tropical. O país se destaca por sua robusta rede de instituições de pesquisa, universidades e centros de excelência, com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sendo uma peça-chave no avanço da produtividade e sustentabilidade na agricultura nacional. A nova participação permitirá ao Brasil aumentar sua influência nas discussões promovidas pela OCDE relacionadas à agricultura, segurança alimentar e inovação.
Além disso, a adesão ao programa poderá resultar na diminuição de custos de cooperação internacional, ao proporcionar acesso a uma infraestrutura já estabelecida para intercâmbios científicos, bolsas de pesquisa, conferências e workshops.
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Essa iniciativa é fruto da colaboração entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Desafios no Setor Agropecuário Brasileiro
Por outro lado, o Brasil enfrenta desafios significativos no setor agropecuário, principalmente devido à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já impacta diretamente os custos agrícolas. Nos últimos dias, os preços da ureia subiram entre 33% e 48%, enquanto a amônia anidra teve um aumento de cerca de 39%, impulsionados pela alta do gás natural e pelas restrições logísticas na estratégica rota de Ormuz, essencial para a exportação de insumos.
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Com a dependência de cerca de 85% dos fertilizantes que consome, conforme a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o Brasil sente rapidamente os efeitos dessa situação. Grande parte da ureia utilizada no país é proveniente do Oriente Médio, aumentando a vulnerabilidade da nação em relação ao conflito e provocando a expectativa de novos aumentos nos próximos meses.
Esse cenário se agrava no período de planejamento da safra 2026/27. Diante dos custos elevados, muitos produtores estão reconsiderando suas estratégias, adiando compras e buscando alternativas para mitigar o impacto dos insumos nos seus orçamentos, especialmente em cultivos como soja e milho, que são altamente dependentes de fertilização. Além do custo dos insumos, o aumento do preço do petróleo também elevou as despesas com transporte marítimo, pressionando ainda mais o custo final dos fertilizantes no Brasil.
Medidas do Governo para Amortecer Impactos
Diante deste quadro complicado, o governo federal está em discussões para implementar medidas que ajudem a minimizar os efeitos dessa situação. Entre as propostas está a criação de um mecanismo de subvenção para fertilizantes, que será integrado ao Plano Safra 2026/27, utilizando crédito subsidiado para aliviar os custos para os produtores.
Além dessa abordagem, o governo planeja ações estruturais para aumentar a produção nacional, através do Plano Nacional de Fertilizantes e linhas de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), buscando reduzir a dependência externa, considerada um dos principais obstáculos enfrentados pelo setor.
Em paralelo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem pressionado por soluções emergenciais, como a redução de custos logísticos e tributários, incluindo pedidos para isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa que onera a importação de fertilizantes. Com a combinação de aumento nos insumos, frete elevado e incertezas geopolíticas, o ambiente se torna cada vez mais desafiador para os produtores. A definição dos custos da próxima safra promete acontecer em meio a uma volatilidade intensa, afetando diretamente a margem de lucro e as decisões de plantio dos agricultores.

