Reivindicações da Categoria em Debate
No início de 2026, os professores do Distrito Federal se reuniram em uma assembleia para aprovar pautas importantes para a categoria. O evento, que se destacou pela votação eletrônica, abordou a reestruturação da carreira, a nomeação de aprovados no concurso de 2022 e as condições precárias enfrentadas por muitos educadores. A mobilização teve início no estacionamento da Funarte e seguiu em manifestação até a frente do Palácio do Buriti, chamando a atenção para os problemas na rede de ensino.
Entre as principais queixas, os docentes mencionaram as salas de aula superlotadas e a falta de novas escolas, além da insatisfação com a situação de não pagamento de profissionais contratados temporariamente. Durante a assembleia, também foram discutidos o “Caso Master” e os desafios enfrentados pelos servidores com o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores (Inas-DF).
Valorização e Condições de Trabalho
A diretora do Sindicato dos Professores no DF (Sinpro-DF), Márcia Gilda Moreira Costa, ressaltou a importância do evento para a aprovação do calendário de lutas da categoria, que almeja visibilidade e valorização do magistério público. “Estamos lutando por uma reestruturação da carreira, por melhores condições de trabalho e pela nomeação dos aprovados no concurso de 2022”, destacou.
Atualmente, mais de 15 mil professores atuam em condições difíceis. Márcia citou como exemplo o atraso e os erros no pagamento dos salários de professores temporários. Apesar do amor pela profissão, ela enfatizou que a categoria precisa ser respeitada e receber os recursos adequados para a educação.
Calendário de Lutas e Atividades Previstas
Os professores aprovaram um extenso calendário de lutas, incluindo eventos como a Sessão Solene em Homenagem ao Sinpro-DF, programada para o dia 27 de março na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Outras atividades incluem a Comissão Geral sobre o Educa DF, no dia 9 de abril, e a Marcha da Classe Trabalhadora, que ocorrerá no dia 15 de abril, com concentração no Teatro Nacional.
Além disso, pautas como a auditoria nas contas do Governo do Distrito Federal (GDF) e do Instituto de Previdência dos Servidores (IPREV) foram incluídas nas discussões da assembleia. Apesar de não ter sido tomada uma decisão sobre uma possível greve, foi registrado um indicativo de paralisação caso não haja pagamento adequado dos contratos temporários junto aos efetivos, no quinto dia útil do mês.
A Importância da Reestruturação da Carreira
Marta Paiva Scardoa, servidora prestes a se aposentar, acredita que a reestruturação é vital para manter os direitos já conquistados. Ela enfatizou que a desvalorização da carreira é um problema acumulado ao longo de gestões anteriores. “Uma carreira só é reconhecida como importante se for bem remunerada”, argumentou, apontando que Brasília ocupa apenas a nona posição no ranking nacional de salários de professores.
A educadora destacou a importância da educação pública como um espaço democrático, mas alertou para as condições precárias de trabalho enfrentadas. “O acesso à educação não é suficiente; os alunos precisam ser tratados com dignidade”, ressaltou.
Engajamento da Classe e Testemunhos de Professores
A professora Joana Darc do Carmo Alves Cruz, com 37 anos de experiência na educação, também marcou presença na assembleia para lutar pelos direitos da categoria. “Não dá para reivindicar direitos sem lutar por eles”, afirmou. Ela acredita que a reestruturação da carreira é essencial e que a luta deve ser contínua.
Outro depoimento significativo foi o de Juliana Queiroz, professora há 15 anos, que tem atuado como temporária por 9 anos. Ela defendeu a necessidade de zerar o Banco de Cadastro dos candidatos aprovados, destacando que a efetivação de professores temporários é crucial para a qualidade do ensino.
A assembleia contou com a participação de deputados distritais e encerrou-se com uma manifestação em protesto ao Caso Master, deixando claro que a luta pela valorização da educação no DF está longe de acabar.
