Presidenciáveis debatem com empresários sobre crescimento e investimentos
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), pré-candidatos à Presidência da República, participaram de um debate promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O encontro, realizado em formato restrito para convidados e credenciados, teve início às 14h e teve como foco discutir temas cruciais para o desenvolvimento econômico do país.
Durante o evento, os empresários presentes tiveram a oportunidade de questionar os presidenciáveis sobre assuntos relacionados à geração de empregos, competitividade, investimentos e crescimento econômico. Os candidatos receberam o documento “Construindo o Brasil 2050”, elaborado pela CNI, que apresenta recomendações para políticas públicas de longo prazo, com ênfase em produtividade, estabilidade regulatória e atração de investimentos.
Principais temas do debate: política econômica e infraestrutura
O debate abordou eixos fundamentais para o futuro do Brasil, como política macroeconômica, reforma tributária, inovação, infraestrutura, segurança energética, sustentabilidade e segurança jurídica. Segundo a CNI, esses pontos são essenciais para reduzir o chamado “Custo Brasil” e elevar a competitividade nacional.
Um destaque especial do encontro foi a proposta de acelerar a universalização do saneamento básico, vista como estratégica para o progresso econômico e social do país. O Brasil precisa cumprir as metas estabelecidas no Novo Marco Legal do Saneamento até 2033, o que exige um investimento estimado de R$ 420 bilhões para ampliar o acesso à água potável e ao tratamento de esgoto.
Desafios e desigualdades no saneamento básico
Embora tenham sido realizados avanços desde a atualização da legislação em 2020 — com 64 leilões em 1.734 municípios e contratos superiores a R$ 370 bilhões —, o déficit ainda é preocupante. Atualmente, 43% da população brasileira não têm acesso à coleta de esgoto, e 16% vivem sem água potável.
Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI, destaca que “água tratada e coleta de esgoto estão diretamente ligadas à saúde, dignidade e qualidade de vida. A falta desses serviços aumenta riscos de doenças, gastos públicos e desigualdades, enquanto sua expansão fomenta o desenvolvimento das cidades e o crescimento econômico”.
O cenário regional revela fortes desigualdades: o Sudeste apresenta cobertura de 92,1% no abastecimento de água e 80,8% no esgotamento sanitário, contraste significativo com o Norte, que registra 62,8% e 16,6%, respectivamente. No Nordeste, o índice de cobertura de esgoto é de apenas 31,7%.
Metas e eficiência operacional no setor de saneamento
Outro desafio destacado é a falta de metas contratualizadas para o abastecimento de água e esgotamento sanitário em muitos municípios. Mais de mil cidades ainda não definiram objetivos para água potável, atingindo cerca de 12% da população, enquanto 1.421 municípios permanecem sem metas formais para esgoto, afetando 15% dos brasileiros.
A eficiência operacional também preocupa: as perdas de água na distribuição chegaram a 39,5% em 2024, segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Embora haja uma leve melhora em relação a 2020, quando o índice era de 40,9%, o progresso é considerado insuficiente. As maiores perdas concentram-se no Norte (50%), seguido pelo Nordeste (46,7%) e Sudeste (37,6%).
Investimentos e políticas para garantir metas até 2033
Para que as metas do Novo Marco Legal do Saneamento sejam alcançadas até 2033, a CNI destaca que não basta apenas o aporte financeiro. É fundamental garantir estabilidade regulatória e um ambiente propício para investimentos privados.
Entre as sugestões apresentadas estão o aprimoramento das concessões e parcerias público-privadas (PPPs), o aumento dos investimentos em regiões com maiores déficits, a redução das perdas no sistema de distribuição de água, além da integração do saneamento com políticas de adaptação às mudanças climáticas e gestão de riscos urbanos.
