Oposição Acredita em Irregularidades na Gestão do BRB
Um conjunto de partidos e representantes da esquerda no Distrito Federal protocolou, nesta segunda-feira (26 de janeiro de 2026), uma notícia-crime junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador Ibaneis Rocha (MDB). A ação se baseia na alegação de que o governador teria cometido omissões graves na administração do Banco de Brasília (BRB). A petição ressalta que o controverso projeto de aquisição do Master pelo BRB teria recebido a “anuência e aprovação explícita” de Ibaneis.
Os presidentes dos diretórios regionais do PT, Rede Sustentabilidade, PDT, PCdoB e PV foram os responsáveis pela apresentação do pedido ao STJ, que é o foro adequado para processar e julgar governadores. O documento faz referência a diversas reportagens, apontando que o BRB teria sido utilizado pelo governador para realizar gastos inadequados que não se alinham à sua “missão institucional”.
Patrocínios Questionáveis e Aquisições Duvidosas
A petição traz à tona casos como o patrocínio do BRB à equipe de Fórmula 1 e ao Flamengo, insinuando que tais decisões foram influenciadas pelas preferências pessoais do governador, que é fã do rubro-negro carioca e do automobilismo. “O uso do Banco de Brasília para interesses pessoais do governador não se limita a patrocínios, mas também envolve transações duvidosas. Em maio de 2025, por exemplo, Ibaneis adquiriu uma fazenda por um preço muito abaixo do valor de mercado, o que levantou suspeitas sobre a lisura do negócio, já que o leilão foi promovido pelo BRB”, destaca o texto.
De acordo com a denúncia, a tentativa de compra do Master resultou em um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões para o banco, com reportagens anteriores já sinalizando práticas irregulares na atuação da instituição antes mesmo de as investigações da Polícia Federal serem iniciadas.
Aval do Governador e Resistências
Os partidos alegam que as negociações para a venda do Master contaram com “aval explícito” de Ibaneis Rocha, embora tenham enfrentado algumas resistências institucionais. “O cenário começou a mudar quando as instituições federais começaram a examinar a aquisição do Banco, assim como as práticas comerciais do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro. Inicialmente, o Banco Central negou autorização para a compra, respondendo ao pedido protocolado pelo BRB”, acrescenta a petição.
Além disso, o documento menciona que, com o avanço das investigações, o Judiciário determinou o afastamento cautelar de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB indicado por Ibaneis. Os partidos acreditam que todas as decisões durante a gestão do banco foram tomadas com a participação ativa do governador.
Em entrevista ao Poder360, o presidente nacional do PV enfatizou que “é fundamental proteger o patrimônio de todos no Distrito Federal, especialmente o Banco de Brasília. Estamos aqui para chamar a atenção para a responsabilidade daqueles que causaram essa crise e para preservar um bem público”.
Próximos Passos Legais
A notícia-crime não implica, de imediato, em uma investigação formal, pois não se trata de um procedimento investigatório criminal. Os congressistas solicitam que o STJ intime a Procuradoria Geral da República (PGR) para avaliar e investigar se houve alguma conduta ilegal por parte do governador. O caso deve ser encaminhado a um dos ministros da Corte Especial, que será responsável pela relatoria do processo. Esse relator poderá intimar a PGR a se manifestar.
Se a PGR decidir abrir um inquérito, a questão pode ser apreciada em sessão plenária, onde pode ser aceita a denúncia e, posteriormente, instaurada uma ação penal para averiguar a culpabilidade do réu.
Pedido de Impeachment em Andamento
Simultaneamente à notícia-crime apresentada ao STJ, Ibaneis também enfrenta um pedido de impeachment na Câmara Legislativa do DF. Os partidos PSB, Cidadania e Psol protocolaram essa solicitação na última sexta-feira (23 de janeiro de 2026), acusando o governador de estar diretamente envolvido em operações financeiras irregulares entre o BRB e o Banco Master. A decisão sobre a abertura do processo cabe ao presidente da Casa, deputado distrital Wellington Luiz (MDB).
A reportagem conta com a colaboração dos trainees em Jornalismo do Poder360, Nícolas Proença e Rúbia Bragança, sob a supervisão do editor-assistente Lucas Fantinatti.
