O Crescimento da Presença Feminina na Construção Civil
Historicamente dominado por homens, o setor da construção civil tem observado uma importante transformação nos últimos anos com o aumento significativo da participação das mulheres. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2007 e 2018, a presença feminina no setor cresceu 120%. Hoje, mulheres atuam em diversas funções, desde atividades operacionais até cargos técnicos e estratégicos, demonstrando competência, resiliência e capacidade de adaptação.
Além de ocuparem espaço em um ambiente tradicionalmente masculino, muitas dessas mulheres conciliam a rotina intensa do trabalho com a maternidade, enfrentando desafios que extrapolam a esfera profissional. A jornada dupla exige equilíbrio, organização e resiliência para administrar prazos, responsabilidades e cuidados familiares.
Histórias de Superação e Conciliação entre Trabalho e Maternidade
Denise Duarte, engenheira de Segurança do Trabalho na Soltec Engenharia e mãe de dois filhos, exemplifica essa realidade. Ela relata que a maternidade transformou sua vida, mas não de forma negativa em sua carreira. Trabalhou até a última semana de gestação e aprendeu a delegar tarefas, confiar na equipe e focar no essencial para manter a excelência dos processos mesmo durante ausências por motivos familiares. Para Denise, a maternidade aprimorou sua capacidade profissional.
Outro relato significativo é o de Veronica Barbosa de Souza, mãe de três filhos e servente/rejuntadeira há quatro anos na Base Incorporações. Ela descreve sua rotina como uma constante luta que envolve madrugadas, planejamento rigoroso e uma rede de apoio essencial para cuidar das crianças. Apesar do desgaste físico do trabalho, Veronica encontra motivação na fé e no amor pelos filhos, conseguindo transformar os desafios em força para seguir em frente. Seu orgulho está em ver que seu trabalho contribui para a concretização de sonhos, como a entrega de empreendimentos com qualidade.
Veronica também mantém sonhos profissionais e pessoais: deseja aprender novas funções na construção civil e conquistar a casa própria, ainda que hoje more de aluguel. Essa determinação é uma característica comum entre as mulheres do setor, que buscam ampliar seus horizontes e consolidar sua independência.
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Fonte: amapainforma.com.br
Experiência e Resistência: Mulheres que Marcam a Construção Civil
Rita Vicente, com cerca de 30 anos de atuação na construção civil, é outro exemplo de resistência. Mãe de nove filhos, ela destaca a valorização que encontrou na profissão, apesar das dificuldades para conciliar maternidade e trabalho. Sem uma rede de apoio adequada no começo, precisou recorrer a creches e pagar por cuidados, mesmo com receios quanto à qualidade. Ela tem orgulho de ter formado os filhos com o próprio trabalho, mostrando a importância da dedicação contínua.
Telma Pereira Silva, copeira de obras, lembra que quase desistiu no início por ser um ambiente predominantemente masculino e desconhecido para ela. No entanto, a decisão de persistir foi fundamental para que hoje se sinta respeitada e reconhecida nas obras. Essas histórias evidenciam a necessidade constante de as mulheres demonstrarem sua capacidade profissional em meio a um cenário ainda marcado por desafios de gênero.
Apoio Social e Acolhimento como Pilares para a Saúde das Trabalhadoras
Por trás dessas trajetórias, uma rede de apoio é essencial para garantir a saúde física e emocional dessas mulheres. Familiares, colegas, lideranças e serviços de assistência contribuem para um ambiente de trabalho mais humano e acolhedor, o que impacta diretamente o bem-estar e a permanência das mulheres no setor.
O Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) desempenha papel fundamental nesse cenário ao oferecer suporte gratuito em saúde física, emocional e social, especialmente para mães que enfrentam rotinas intensas. Por meio de parcerias com empresas, as trabalhadoras têm acesso a atendimentos médicos, odontológicos e acompanhamento psicossocial, promovendo o cuidado integral e o incentivo ao autocuidado.
Roseane dos Santos, assistente social do Seconci-DF, destaca que o acolhimento vai além da assistência básica, sendo crucial para mulheres que acumulam diversas responsabilidades. Esse suporte ajuda a equilibrar a vida profissional e familiar, contribuindo para a qualidade de vida dessas trabalhadoras.
Rita Vicente reforça a importância desses serviços em sua vida e na de sua família, ressaltando que o acesso a exames e atendimentos médicos pelo Seconci-DF é um recurso valioso. Veronica Barbosa também reconhece o impacto positivo desse apoio para os profissionais da construção civil.
Construindo Ambientes Inclusivos e Saudáveis
As ações do Seconci-DF reforçam a necessidade de ambientes de trabalho mais inclusivos, saudáveis e respeitosos para as mulheres na construção civil. Essas profissionais, que diariamente erguem estruturas e constroem suas próprias histórias, merecem reconhecimento, suporte e condições para que possam continuar contribuindo de maneira plena para o setor.
Ao promover acolhimento e cuidados integrados, o setor de construção civil avança não só na infraestrutura física, mas também na construção de uma rede de suporte que valoriza o trabalho feminino, a maternidade e o bem-estar das trabalhadoras. Essa mudança representa um passo fundamental para garantir saúde, qualidade de vida e igualdade no ambiente profissional.
