Situação de Alunos em Escola Cívico-Militar Levanta Polêmica

No dia 25 de janeiro, uma ocorrência na Escola CED 1 do Itapoã, em Brasília, gerou indignação entre pais e educadores. De acordo com denúncias, alunos foram forçados a realizar flexões e ficar de joelhos por policiais militares, que consideraram a cor dos agasalhos usados por eles inadequada.

A medida provocou um forte clamor por medidas adequadas, levando o Ministério Público (MP) a solicitar uma explanação da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que terá um prazo de cinco dias para responder às questões levantadas. Em uma declaração à TV Globo, o major Brooke, porta-voz da PM, tentou minimizar a situação, afirmando que se tratava de uma “brincadeira para descontrair”. Segundo ele, “Ninguém forçou ninguém a fazer os exercícios. O professor de educação física estava presente e quem não queria participar, não participou”.

Entretanto, o incidente não é isolado. A Secretaria de Educação do DF reconheceu que houve um “equívoco na condução” do episódio e confirmou que a PM autorizou a substituição dos policiais envolvidos, que ocorrerão imediatamente.

Histórico de Denúncias na Escola

A CED 1 do Itapoã já havia sido alvo de outras queixas graves. Em maio de 2025, estudantes denunciaram casos de violência física e psicológica, e em junho de 2024, um aluno relatou ter sido agredido por um policial por ter chegado atrasado à aula. Esses episódios acendem um alerta sobre a necessidade de uma revisão nas práticas pedagógicas e disciplinares na escola.

Além disso, foi publicado um edital para credenciamento de empresas especializadas na confecção de uniformes escolares cívico-militares. A Secretaria de Educação afirmou que, enquanto o fornecimento dos uniformes não estiver completo, os alunos não serão prejudicados, podendo usar peças do ano anterior ou vestimentas alternativas. “Não há exigência de uso exclusivo do uniforme”, garantiu a pasta.

Reação do Sindicato dos Professores

Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores, criticou a postura da PM em relação ao tratamento dispensado aos alunos. Ele descreveu as punições como “desproporcionais e constrangedoras”, ressaltando que a disciplina escolar deve respeitar a dignidade dos estudantes, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Fernandes argumentou que obrigar os alunos a realizar exercícios físicos ou a ficar ajoelhados como forma de punição é uma violação de direitos e pode ser considerada abuso de autoridade. “Precisamos que casos assim sejam apurados com seriedade e que medidas eficazes sejam implementadas para evitar práticas desse tipo no futuro”, enfatizou.

Posicionamento da Secretaria de Educação

A Secretaria de Educação do Distrito Federal, em sua nota oficial, afirmou que tomou conhecimento da situação na manhã do dia 25. O órgão reiterou que não compactua com práticas constrangedoras e que medidas estão sendo adotadas para esclarecer os fatos. A pasta reafirmou seu compromisso com a proteção e a dignidade das crianças e adolescentes, conforme preveem o ECA e a Constituição Federal de 1988.

Declaração da Polícia Militar

A PMDF também se manifestou sobre o caso, destacando que o ocorrido será minuciosamente investigado e que os policiais envolvidos já foram afastados. Reforçaram, mais uma vez, que não apoiam condutas que possam ser vistas como inadequadas no ambiente escolar.

O desfecho dessa situação será acompanhado de perto por toda a comunidade escolar, que busca garantir que as práticas educacionais sejam pautadas pelo respeito e pela dignidade, promovendo um ambiente saudável para o aprendizado.

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