Pedido de suspensão da Torcida Ira Jovem do Gama
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) encaminhou à Justiça um pedido para suspender a atuação da Torcida Ira Jovem do Gama durante o confronto contra o São José-RS, agendado para este domingo (16/8) no Estádio Walmir Campelo Bezerra, o Bezerrão. A ação, obtida pela coluna, decorre de um suposto descumprimento de um acordo judicial firmado anteriormente com a torcida organizada.
Entre as medidas solicitadas estão a proibição da entrada ou permanência coletiva no estádio, bem como o uso de faixas, bandeiras, instrumentos, uniformes, símbolos e outros elementos que identifiquem a torcida. Além disso, o MP pede que sejam vetadas concentrações, deslocamentos e reuniões coletivas tanto no estádio quanto em seus arredores.
Contexto do episódio de violência na Série D
O pedido foi protocolado em 13 de agosto na 9ª Vara Cível de Brasília. Segundo o MPDFT, membros da Ira Jovem estiveram envolvidos em um incidente violento durante a partida entre Gama e América-RN, válida pelas oitavas de final do Campeonato Brasileiro da Série D, realizada em 26 de julho.
De acordo com os documentos, torcedores da Ira Jovem contornaram a parte posterior da arquibancada Leste para acessar a área atrás da arquibancada Norte, onde estava a torcida visitante. Na ocasião, o espaço entre as arquibancadas estava isolado por tapumes, portões e grades para evitar o contato entre as torcidas.
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O MP afirma que integrantes da organizada derrubaram e atravessaram as barreiras, invadindo a área restrita e avançando contra os torcedores adversários. Esse confronto resultou em pelo menos uma pessoa ferida no ombro, que foi atendida em um hospital do Distrito Federal e liberada em seguida.
A Polícia Militar precisou intervir com uso de bombas de efeito moral e gás para conter a confusão, que atrasou a saída do público e comprometeu a operação de segurança do estádio. Um relatório da Secretaria de Segurança Pública também apontou danos a portões e estruturas do local.
Acordo judicial e consequências
Anteriormente, o MPDFT havia firmado um acordo judicial com a Ira Jovem. O documento prevê que, caso seus membros se envolvam em atos de violência, tumultos ou outras condutas relacionadas ao futebol em um período de cinco anos, os benefícios concedidos serão automaticamente cancelados.
Nesse sentido, o MP solicitou multa de R$ 50 mil por cada ato de descumprimento. O acordo também permite que a ação civil pública seja retomada e que a torcida seja afastada de eventos esportivos e seus arredores por no mínimo cinco anos.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Com base no ocorrido em julho, o Ministério Público entende que houve violação do acordo e pede que a Justiça reconheça a infração, determinando a revogação parcial da medida exclusivamente contra a Ira Jovem.
Defesa da torcida e posição da Justiça
Na sexta-feira (14/8), a defesa da torcida apresentou manifestação pedindo o indeferimento da liminar. Os advogados argumentam que responsáveis pelos atos devem ser identificados individualmente, não sendo justo punir toda a torcida coletivamente.
Além disso, destacam que a medida afetaria crianças, famílias, idosos, mulheres, trabalhadores e estudantes que fazem parte da torcida e que não participaram dos incidentes de 26 de julho. Também ressaltam que o jogo contra o São José-RS será sem torcida visitante, reduzindo o risco de confrontos semelhantes.
O MPDFT esclareceu à Justiça que o pedido de suspensão é exclusivo para a Ira Jovem, sem atingir outras torcidas ou demais réus do processo. Até a publicação desta reportagem, a Justiça do Distrito Federal ainda não havia decidido sobre a solicitação do Ministério Público.

