Confissão do Suspeito e Investigações em Curso
O ex-técnico de enfermagem, apontado como o principal suspeito de assassinar três pacientes no Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, no Distrito Federal, confessou os crimes durante depoimento à Polícia Civil. Segundo as investigações, o homem, de 24 anos, injetou doses letais de um medicamento nos pacientes, utilizando-o como um veneno mortal. Em um dos casos, ele chegou a injetar desinfetante na veia de uma das vítimas.
O delegado Wisllei Salomão, que coordena o caso, informou que o técnico inicialmente negou as acusações em um primeiro interrogatório. Contudo, sua confissão veio após a apresentação de vídeos do circuito interno de segurança que mostravam claramente suas ações. Além do principal suspeito, outras duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, estão sendo investigadas por sua participação nos crimes, dando cobertura a algumas das ações do colega.
A jovem de 22 anos também negou a participação inicialmente, mas acabou admitindo ao ser confrontada com as imagens, lamentando não ter impedido o que ocorria. O técnico de enfermagem trabalhava na instituição há cinco anos e foi demitido após a abertura da investigação interna. Ele já estava atuando em uma UTI pediátrica em outra unidade de saúde em Taguatinga.
Vítimas e Circunstâncias das Mortes
A investigação da Polícia Civil prossegue, com o objetivo de determinar se há mais vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras instituições onde o técnico atuou. As vítimas identificadas até agora são: a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; o servidor público João Clemente Pereira, de 63; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos.
Conforme relatos da diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, a gravidade dos quadros clínicos das vítimas variava. No entanto, a rápida deterioração de suas condições chamou a atenção tanto do hospital quanto dos investigadores. As imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva revelaram que os medicamentos eram administrados nos momentos críticos de saúde dos pacientes.
O delegado Salomão detalhou um dos atos mais chocantes: “Em um caso, o técnico injetou desinfetante diretamente na veia da paciente, totalizando 13 aplicações. Essa mulher sofreu seis paradas cardíacas e, mesmo após os esforços de reanimação, não sobreviveu.” Além disso, o suspeito se utilizou da senha de um médico para emitir uma receita fraudulentamente e buscar o remédio que aplicou em suas vítimas.
Reações e Medidas do Hospital e Conselhos de Classe
A sequência dos eventos levou o Hospital Anchieta a tomar medidas rápidas. Ao identificar anormalidades relacionadas a três óbitos em sua UTI, o hospital instaurou um comitê interno para investigar as circunstâncias e, com base nos resultados, solicitou a abertura de um inquérito policial. Em nota, a instituição expressou seu compromisso com a transparência e a segurança dos pacientes, assegurando que está colaborando com as autoridades. As famílias das vítimas foram comunicadas, e todos os esclarecimentos necessários foram prestados.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) também se manifestou sobre os fatos, afirmando estar atento ao caso e que tomará as providências cabíveis em sua esfera de atuação. O Coren-DF ressaltou a importância do devido processo legal e a necessidade de respeitar a ampla defesa dos envolvidos na investigação.
Expectativas das Famílias das Vítimas
A família de João Clemente, uma das vítimas, inicialmente acreditava na versão de que a morte ocorreu por causas naturais. Entretanto, com as novas informações surgidas no dia 16 de janeiro, começaram a questionar as circunstâncias do falecimento e a dor que compartilham com as outras famílias. A família manifestou confiança na atuação da Polícia Civil e no Poder Judiciário, buscando a responsabilização dos envolvidos, tanto criminal quanto civilmente, em relação ao hospital por possíveis falhas na vigilância e segurança.
