Negócios Travados e Preços em Queda
O mercado de milho brasileiro continua a apresentar um ritmo lento nas transações, especialmente em estados como Goiás e Minas Gerais. A análise feita pela Safras & Mercado revela que a concentração dos produtores na colheita da safra de verão tem sido um fator limitante para a liquidez nas praças. Apesar do aumento na oferta de milho, os compradores seguem pressionando os preços para baixo, resultando em um cenário de viés baixista que dificulta a movimentação significativa nas vendas. Diante disso, o mercado interno permanece estável, sem grandes avanços em novos contratos.
Cenário Internacional com Sinais de Recuperação
Enquanto isso, no cenário internacional, o milho teve uma semana levemente positiva, influenciado por uma recuperação na demanda do cereal dos Estados Unidos e preocupações climáticas na Argentina. Essas condições contribuíram para uma sustentação dos preços globais. Para a próxima semana, as atenções estarão voltadas ao relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), agendado para o dia 10 de fevereiro, o qual poderá impactar as tendências do mercado global do grão.
Queda nos Preços da Saca de Milho
Conforme levantamento realizado pela Safras & Mercado, o preço médio da saca de milho no Brasil foi de R$ 63,05 no dia 5 de fevereiro, apresentando uma queda de 0,82% em relação aos R$ 63,57 registrados na semana anterior. A seguir, confira as principais cotações regionais:
- Cascavel (PR): R$ 62,00/saca — queda de 1,59% em comparação aos R$ 63,00 da semana passada;
- Campinas (SP – CIF): R$ 68,00/saca — cotação estável;
- Mogiana (SP): R$ 65,00/saca — sem variação;
- Rondonópolis (MT): R$ 55,00/saca — queda de 1,79% em relação aos R$ 56,00 da semana anterior;
- Erechim (RS): R$ 65,00/saca — cotação estável;
- Uberlândia (MG): R$ 63,00/saca — sem variação;
- Rio Verde (GO): R$ 60,00/saca — preço mantido.
Essa situação de estabilidade ou ligeira baixa reflete o baixo ritmo de comercialização, com compradores e vendedores na expectativa de melhores oportunidades no mercado.
Desempenho das Exportações de Milho
Apesar da inatividade no mercado interno, as exportações de milho do Brasil mostraram um desempenho positivo em janeiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o país alcançou uma receita de US$ 938,3 milhões, com 4,247 milhões de toneladas embarcadas, resultando em uma média diária de 202,2 mil toneladas. O preço médio por tonelada foi de US$ 220,90.
Em comparação a janeiro de 2025, houve um aumento de 18,8% no valor médio diário exportado, um crescimento de 18,2% no volume médio diário e uma valorização de 0,5% no preço médio do produto. Esses números reforçam a importância estratégica do milho brasileiro no comércio internacional, mesmo em um cenário de retração no mercado doméstico.
Estabilidade nos Preços do Algodão
Enquanto isso, o mercado físico de algodão também se apresenta com pouca movimentação, mas os preços permanecem firmes em várias regiões do país. Levantamento da Safras Consultoria aponta que houve procura pontual de tradings por entregas em 30 dias, com produtores demonstrando interesse e flexibilidade nas negociações. A indústria têxtil, por sua vez, mantém um comportamento cauteloso, realizando compras limitadas.
As cotações do algodão permaneceram estáveis ou ligeiramente mais altas, desafiando a tendência de baixa observada na Bolsa de Nova York (ICE Futures). Em São Paulo, o algodão foi negociado a cerca de R$ 3,53 por libra-peso, enquanto em Rondonópolis (MT) a pluma foi cotada a R$ 109,88 por arroba, equivalente a R$ 3,32 por libra-peso, com leve alta de 0,24% em relação à semana anterior.
Exportações de Algodão em Declínio
Em janeiro, as exportações brasileiras de algodão somaram 316,8 mil toneladas, segundo dados da Secex. O volume representa uma média diária de 15,08 mil toneladas embarcadas, gerando uma receita total de US$ 489,1 milhões, ou seja, US$ 23,29 milhões por dia. Porém, em comparação com janeiro de 2025, houve uma queda de 23,8% no volume diário exportado e uma redução de 31,2% na receita média diária.
A retração nas exportações é um reflexo de um mercado internacional mais competitivo, onde a oferta de algodão norte-americano aumentou e a demanda externa apresentou uma moderação no início de 2026.
Safra de Algodão 2025/26 em Redução
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta que a safra de algodão 2025/26 em Mato Grosso deverá ter uma redução na área cultivada. A nova estimativa indica que serão plantados 1,42 milhão de hectares, uma queda de 0,83% em relação ao levantamento anterior e de 8,06% comparado à safra 2024/25.
Embora a área esteja diminuindo, o Imea ressalta que a semeadura está mais adiantada do que no ciclo anterior, com mais de dois terços da área projetada já plantada na janela ideal, superando os 53,48% observados na safra passada. A produtividade, no entanto, deve ser menor, com projeções de 290,88 arrobas por hectare, uma queda de 7,69% em relação ao ciclo anterior, resultando em uma produção estimada de 6,21 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,56 milhões de toneladas de pluma.
