De Raiz no Guará e na Arte
Julimar dos Santos é uma figura inseparável da história cultural do Guará. Nascido e criado na QE 38, ele acompanhou o crescimento da cidade enquanto descobria na arte um caminho que mudaria seu destino. Hoje, como artista plástico, produtor cultural e gerente de Cultura do Guará, Julimar dedica seu trabalho a fortalecer os espaços culturais e incentivar novos talentos, acreditando firmemente que a cultura tem o poder de transformar vidas.
“Nasci e fui criado aqui. Aprendi a conviver nas ruas, conheci todas as praças e cresci em uma cidade que valoriza os espaços públicos. Acho que isso explica por que amo tanto o Guará”, explica Julimar, ao refletir sobre sua ligação com o bairro.
Trajetória Entre Música e Artes Visuais
A relação com a cultura começou ainda na infância, na Paróquia Santíssima Trindade, onde ele participou de atividades musicais e aprendeu a tocar teclado, violão e bateria. Com o tempo, descobriu que seu verdadeiro talento estava nas artes visuais, e desde então construiu uma trajetória consistente como artista plástico, artesão, malabarista e produtor cultural.
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O percurso não foi isento de desafios. Crescer na QE 38, então considerada periferia, expôs Julimar a realidades difíceis. “Tive amigos que morreram, outros foram presos. Graças à minha mãe, à minha família e principalmente à arte e à cultura, consegui construir uma vida digna”, lembra.
Gestão Cultural com Impacto Local
Há mais de 20 anos na cena artística, Julimar atribui à arte o papel decisivo na transformação de seu destino e canaliza essa experiência em sua atuação como gestor cultural da cidade. Sob sua liderança na Gerência de Cultura do Guará, foram acompanhadas reformas importantes como as da Casa da Cultura, do teatro de arena, da biblioteca e de monumentos locais. Além disso, expandiu significativamente as oficinas culturais e a realização de eventos que animam a comunidade durante o ano todo.
“Quando chegamos, havia poucas oficinas e um espaço bastante deteriorado. Hoje, temos quase 30 oficinas, eventos praticamente toda semana e uma biblioteca aberta de segunda a segunda. Esse resultado não é de uma pessoa só. É um trabalho coletivo”, destaca.
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O Pulsar do Teatro de Arena e o Futuro da Cultura Local
Julimar também ressalta a relevância do Teatro de Arena, um símbolo cultural do Guará, que integra a história da música brasiliense por ter recebido o primeiro show da Legião Urbana em Brasília. Atualmente, o teatro retomou uma programação permanente de apresentações artísticas, reforçando seu papel como ponto de encontro cultural.
Apesar de levar seu trabalho para outras regiões do Distrito Federal e do país, Julimar mantém um vínculo forte com o Guará. “Quero conhecer o mundo inteiro, mas sempre penso em voltar para cá. Conheço cada rua, cada praça e cada canto dessa cidade. É aqui que gosto de levar minha arte.”
Para ele, a cultura deve estar cada vez mais próxima das pessoas, integrando o cotidiano. “Não gosto daquela frase de que santo de casa não faz milagre. Eu acredito que podemos transformar o lugar onde vivemos. A arte não precisa ficar restrita aos museus e às galerias. Ela precisa fazer parte do dia a dia da população.”
