Festival Latinidades reforça debate sobre saúde mental na cultura negra

A 19ª edição do Festival Latinidades chega a Brasília nesta quarta-feira e segue até sábado, trazendo à tona um tema urgente: a saúde mental e as condições de trabalho dentro do setor cultural. O festival, reconhecido como o primeiro evento dedicado às mulheres negras da América Latina, consolida-se como uma plataforma essencial para a articulação e influência em políticas públicas culturais. Essa perspectiva é destacada por Jaqueline Fernandes, organizadora do festival.

Segundo Jaqueline, “pra gente é gratificante poder colocar essa pauta na rua e transformar essa conversa em uma conversa pública”. Ela ressalta a importância de abordar a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura, especialmente das pessoas negras, que enfrentam desafios específicos como jornadas extensas, excesso de burocracia e violências simbólicas.

Programação diversificada traz arte, ancestralidade e debates

O festival começa com o encontro “Quem cuida de quem produz?”, às oito horas da manhã, no Museu da República. O debate será conduzido por Yeye Oshun e Yasmin Moreira, com o apoio de profissionais negras que atuam nos bastidores da cultura, oferecendo um acolhimento fundamental para a discussão.

Na Rodoviária do Plano Piloto, a exposição fotográfica Chão Ancestral marca os 280 anos do Quilombo Mesquita, celebrando a história de mulheres quilombolas brasileiras. A mostra ficará disponível até o fim de julho, ampliando o alcance cultural do evento.

O segundo dia reserva uma série de atividades, como uma meditação guiada, oficinas sobre ancestralidade, identidade e combate ao racismo religioso, além de um festival de humor e uma feira com empreendedoras negras, fortalecendo a economia e cultura locais.

Mesas de debate e lançamentos literários

Entre os destaques do terceiro dia estão as mesas “Arte, saúde mental e bem viver”, com a participação das artistas Linn da Quebrada e Karol Conká, e “Audiências Brasileiras: cultura negra, construção de público e propósito”. A programação reflete a diversidade e profundidade dos temas discutidos.

Na sexta-feira, será lançado o programa Descansa Nêga, do Fundo Agbara, em uma atividade coletiva focada em partilhas sobre viagens. Nesse mesmo dia, a jornalista, empreendedora e investidora Monique Evelle lança o livro “Viagens que a gente não faz por agenda, faz por amor”.

Encerramento com encontro literário no Distrito Federal

O último dia do festival destaca o evento “Julho das Pretas que escrevem no DF”, que convida a imortal Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor” e primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Cerca de 70 autoras locais participam do encontro, fortalecendo a escrita negra na capital.

O ingresso para o Festival Latinidades é gratuito, porém algumas atividades exigem retirada prévia pela plataforma Sympla. As informações completas estão disponíveis no site oficial: latinidades.com.br/programação.

Festival expande atuação com etapa internacional em Nova York

Além de Brasília, o Festival Latinidades terá uma etapa internacional no Central Park, em Nova York, no dia 26 de julho. O Afro-Latinas Concert, realizado em parceria com o SummerStage e o Afro-Latino Festival, contará com artistas da América Latina, Caribe e Estados Unidos.

Entre as atrações gratuitas, destacam-se a brasileira Luedji Luna, que recebe Liniker, e a cantora peruana Suzana Baca, bicampeã do Grammy Latino, ampliando o alcance cultural e a visibilidade da música negra latino-americana.

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