Um Dia que Mudou Tudo

No último domingo, 25 de janeiro, Eduardo Linhares, um jovem de apenas 17 anos, viveu uma experiência angustiante ao ser atingido por um raio durante um ato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília. Após três dias de internação, ele concedeu uma entrevista ao Metrópoles, relatando o desespero e os desafios enfrentados após o incidente. Eduardo não apenas sofreu queimaduras severas, mas também apresentou hemorragia nos ouvidos e dificuldades auditivas.

O jovem descreveu o momento exato em que a descarga elétrica o atingiu: “Estava chovendo muito e, de repente, no espaço de um segundo, olhei uma explosão em cima de mim e, depois, senti como se meu corpo tivesse sido jogado para trás. Parecia que a minha alma tinha se descolado. Depois, não me lembro de mais nada”. Esse turbilhão de sensações fez com que ele ficasse inconsciente, e, ao recobrar a consciência, percebeu que não conseguia sentir nada do pescoço para baixo, uma experiência que o deixou em pânico.

Consequências do Acidente

Os pertences que Eduardo carregava também sofreram danos significativos: sua capa de chuva derreteu e a bandeira que segurava chegou a pegar fogo. O impacto do raio deixou marcas físicas, com ferimentos nas costas e queimaduras consideradas médias e graves em diversas partes do corpo. A situação foi tão crítica que a mãe de Eduardo descreveu momentos de desespero ao perceber a condição do filho e do marido, que estava com sintomas de possível infarto.

Após o incidente, Eduardo recobrou a consciência ainda no gramado da praça, mas não estava nervoso; ele tentava entender a gravidade do que ocorrera, sentindo-se sonolento. “Quando acordei, fiquei tentando juntar as peças do que havia acontecido”, comentou.

Resgate e Atendimento Médico

O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal atendeu 89 pessoas na praça do Cruzeiro durante o ato, a maioria apresentando quadro de hipotermia. No total, 47 pessoas foram levadas a unidades de saúde, e 11 delas precisaram de cuidados especiais devido ao raio que atingiu o local. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF informou que 27 indivíduos foram encaminhados ao Hospital de Base do DF, enquanto outros 14 foram atendidos no Hospital Regional da Asa Norte. Felizmente, não houve registro de mortes.

Eduardo relatou que voltou a sentir os movimentos apenas quando foi transferido para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde recebeu os primeiros atendimentos. Ele expressou sua gratidão aos médicos que o atenderam: “Foi graças aos dois médicos de lá que estou aqui contando esta história. Eles me atenderam muito bem. Fiquei traumatizado, com certeza. Foi um sentimento muito ruim”, desabafou.

Recuperação e Lição de Vida

Após passar por exames na manhã de segunda-feira, 26 de janeiro, os médicos informaram à família que Eduardo apresentava boa evolução. Ele recebeu alta na terça-feira, um alívio após o susto vivido. O jovem ainda revelou que o momento em que acordou e viu sua mãe ajudando seu pai foi crucial para que ele começasse a raciocinar sobre o que havia acontecido. O medo de ter sofrido danos internos o acompanhou durante todo o resgate.

O ato em que Eduardo foi atingido fazia parte da “Caminhada da Liberdade”, que percorreu mais de 250 quilômetros entre Pacaratu (MG) e Brasília, reunindo apoiadores de Nikolas Ferreira em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso. O acidente, embora traumático, trouxe à tona a força de superação e a importância dos cuidados médicos em situações de emergência.

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