Arte contemporânea que dialoga com história e tecnologia
O Sesi Lab, no coração de Brasília, revelou uma intervenção artística que muda radicalmente a forma como o público vê o prédio. A obra “Bordaduras”, da artista plástica Regina Silveira, ocupa 530 metros quadrados da fachada de vidro do museu com adesivos vinílicos que simulam agulhas e pontos de bordado em diferentes fases, criando uma experiência visual inédita.
Mais do que uma simples transformação estética, a instalação provoca uma reflexão sobre a relação entre o trabalho manual tradicional e as novas linguagens digitais. O tema remete à história das mulheres e ao aprendizado doméstico, ressignificando o bordado como uma expressão artística contemporânea e política.
Memórias pessoais ganham vida na arte
Funcionários do Sesi Lab também foram tocados pela intervenção. Kaliane Martins, agente de portaria, encontrou na obra uma conexão íntima com sua trajetória. Aos 40 anos, natural de Brasília, ela lembra os ensinamentos de mãe e avó ao ver as agulhas representadas na fachada.
Leia também: Intervenção Artística Transforma o Interior do Prédio da Onda em Rio das Ostras
Fonte: rjnoar.com.br
Leia também: Mural de 11 metros no Centro de Cultura Ordovás transforma espaço em galeria urbana
Fonte: novaimperatriz.com.br
“Aprendi a bordar com a minha mãe e com minha avó. Ver as agulhas me trouxe essas memórias”, conta Kaliane. Para ela, o bordado nunca foi apenas um ofício, mas uma forma de cuidado e resistência, que ajudou a vestir seus três filhos e a sustentar sua caminhada. A presença da arte no ambiente de trabalho trouxe uma nova dimensão ao cotidiano, fazendo do museu um espaço de diálogo com sua história pessoal.
Entre tradição e inovação digital
Regina Silveira, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) e artista de 87 anos, usa a tecnologia para ampliar os horizontes da arte tradicional. Os padrões gráficos de “Bordaduras” conversam diretamente com a arquitetura do museu, criando uma ilusão de ótica que convida o espectador a um olhar atento e crítico.
O conceito da obra é profundamente feminista. A artista resgata o período do Pré-Renascimento, quando o bordado era uma das poucas formas de alfabetização e expressão feminina. Os pontos incompletos presentes na instalação simbolizam um processo criativo em andamento, onde o erro e o inacabado são parte essencial da narrativa.
Leia também: Celebrando 60 Anos da Secult CE: Homenagens a Artistas e Trabalhadores da Cultura
Fonte: londrinagora.com.br
Tecnologia a serviço da reflexão cultural
Esta intervenção integra o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que discute a influência dos meios digitais na cultura contemporânea. Além da fachada, o público pode conferir a obra “Dígito”, apresentada em um painel de LED dentro do museu, reforçando a trajetória da artista na exploração da distorção de objetos cotidianos.

