Expectativas para a Inadimplência no Agronegócio
O BTG Pactual prevê que a inadimplência no agronegócio, especialmente em relação ao Banco do Brasil (BBAS3), pode enfrentar um aumento nos próximos meses. Esta análise acontece mesmo com a visão positiva da CEO da instituição, Tarciana Medeiros, que acredita na possibilidade de um ponto de inflexão no mercado a partir do segundo semestre de 2026.
Atualmente, o Banco do Brasil informa que a adimplência na sua carteira agro é bastante elevada, com cerca de 94% a 95% dos clientes em dia com suas obrigações. No entanto, a taxa de inadimplência, que varia entre 5% e 6%, ainda preocupa, principalmente quando comparada a outros bancos, como a Caixa Econômica Federal, que apresentou uma taxa de 14,1% no quarto trimestre de 2025.
Perspectivas de Deterioração e Fatores Envolvidos
Apesar da aparente saúde financeira, a equipe do BTG destaca que a deterioração da qualidade do crédito no setor agro ainda não atingiu seu ápice. A análise ressalta que diversos fatores devem impactar negativamente as margens dos produtores. Entre eles, o aumento nos custos de diesel e fertilizantes, exacerbados pelas tensões no Oriente Médio, e a desvalorização do real, que continua a pressionar os resultados.
A CEO Tarciana Medeiros, em entrevista ao programa Roda Viva em fevereiro, enfatizou que os desafios enfrentados pelo agronegócio são cíclicos e não estruturais. Isso significa que não se trata de uma crise generalizada, mas sim de questões pontuais. A executiva citou fatores como:
- Aumento da alavancagem durante o ciclo de juros baixos;
- Elevação dos preços de insumos decorrente da Guerra entre Rússia e Ucrânia;
- Safras menos produtivas em determinadas regiões;
- Queda nos preços das commodities.
Expectativa de Recuperação e Medidas de Apoio
De acordo com Medeiros, 2025 deve ser o ano com o maior pico de pressão sobre o setor, mas a expectativa é de uma recuperação gradual ao longo de 2026, com um ponto de inflexão mais claro no segundo semestre. Essas declarações trazem um alívio para o mercado, que busca sinais de melhora em um cenário desafiador.
Adicionalmente, ações de reestruturação de dívidas, como a Medida Provisória 1314, já contribuíram para a reorganização de cerca de R$ 5 bilhões em créditos. Essa iniciativa tem sido crucial para permitir que os produtores retomem suas capacidades de pagamento e voltem a acessar linhas de crédito do Plano Safra.
Perspectivas para o Futuro do Agronegócio
O cenário atual é um misto de pressões a curto prazo e esperanças de normalização no futuro, o que torna o agronegócio um elemento determinante para os resultados financeiros do Banco do Brasil nos próximos trimestres. Assim, a análise do BTG e as declarações da CEO Tarciana Medeiros fornecem um panorama complexo, mas também oportunidades para que o setor se adapte e busque soluções diante das adversidades.

