Refugiados Enfrentam Desafios no DF Após Ataques dos EUA

Os recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela têm reverberado no Distrito Federal, onde vivem 3.857 imigrantes venezuelanos, conforme dados da Agência da ONU para Refugiados (UNHCR/ACNUR). Especialistas apontam que esses eventos podem intensificar o fluxo migratório para a capital federal, gerando uma pressão adicional sobre as políticas públicas locais.

Em uma visita a uma comunidade no Núcleo Rural Café sem Troco, localizado a aproximadamente 56 quilômetros do Plano Piloto, foi possível observar o cotidiano de mais de 200 venezuelanos que buscaram refúgio no Brasil. Eles deixaram para trás a fome e a falta de medicamentos, além da escassez de oportunidades no seu país natal, e agora tentam recomeçar suas vidas no DF.

Ismênia Del Valle Sanchez, que tem 37 anos e é líder comunitária, chegou ao Brasil há oito anos e atualmente preside a associação indígena Warao Koromoto, que apoia a comunidade indígena venezuelana. Ela recorda a dura jornada para regularizar sua situação no Brasil: “Não foi fácil. Passamos por abrigos até conseguir tudo. Viemos porque a vida lá estava insustentável; a comida, a educação dos filhos, tudo era caro e difícil de obter.”

A comunidade, em parceria com a Escola Classe Café sem Troco, tem conseguido garantir acesso à educação para as crianças e gerar emprego para cinco monitores venezuelanos. Apesar das melhorias, Ismênia se preocupa com seus parentes que ainda estão na Venezuela. “Falo com minha família e a situação é crítica. O preço das coisas muda a cada dia, e não há empregos disponíveis. Aqui, mesmo com as dificuldades, a vida é melhor.”

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