Transações Suspeitas e Investigação da Polícia Federal
BRASÍLIA — Em meio a um cenário de investigações, Ibaneis Rocha (MDB) tornou-se alvo de denúncias relacionadas à venda de R$ 10 milhões em honorários advocatícios a um fundo associado à Reag Investimentos. A assinatura ocorreu em setembro de 2023, quando Rocha já exercia seu mandato como governador do Distrito Federal. Em declarações anteriores ao Estadão, Ibaneis afirmou que não estava mais ligado ao seu escritório de advocacia desde o final de 2018.
No entanto, em 2024, o escritório começou a solicitar na Justiça a liberação dos valores de honorários devidos ao fundo da Reag. Além disso, o Banco Regional de Brasília (BRB) iniciou tratativas com o Banco Master, ambos sob a análise da Polícia Federal, que investiga possíveis fraudes associadas às transações.
Envolvimento de Silvano Gersztel e Lavagem de Dinheiro
Na época em que a negociação ocorreu, Silvano Gersztel estava à frente do fundo Laguz I e é conhecido por representar diversos fundos da Reag em operações complexas, incluindo a compra de participação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, em um resort no Paraná. As investigações indicam que Gersztel pode estar envolvido em atividades de lavagem de dinheiro, com vínculos a empresários do setor de combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Recentemente, Marcos Ferreira Costa assumiu a direção do fundo Laguz I, sendo ele um dos representantes da Reag que indicou dois nomes para o Conselho Fiscal do BRB — uma indicação que, após a divulgação das informações pelo Estadão, resultou em renúncias dos conselheiros.
Venda de Créditos e Negociações no Mercado
Em maio de 2024, o escritório de Ibaneis vendeu um crédito de R$ 38 milhões ao fundo Reag Legal Claims, também vinculado à Reag. Apesar de Ibaneis reitera estar afastado do escritório desde 2018, sua transferência de honorários de 405 processos judiciais para o fundo Laguz I, no dia 12 de setembro de 2023, levanta questões sobre sua real participação. O documento revela a assinatura digital do governador como representante do escritório no ato de transferência.
No total, o valor da condenação judicial estava estimado em R$ 103,95 milhões, com honorários calculados em R$ 10,39 milhões, o que representa cerca de 10% do montante total. Assim, Ibaneis transferiu 100% dos honorários para o fundo da Reag, fazendo com que o montante originalmente destinado a ele passasse a ser propriedade do fundo.
Contratos e Representação Legal
A relação entre Ibaneis e o fundo não se limitou à venda dos créditos. O fundo da Reag também nomeou o escritório de Ibaneis como seu representante legal em qualquer instância judicial, conferindo amplos poderes sem que fossem cobrados honorários. O escritório, por sua vez, defendeu a operação, alegando que a venda visava a antecipação de honorários devidos pela União, prática comum entre escritórios de advocacia e instituições financeiras.
O escritório de advocacia de Ibaneis enfatizou que não possui vínculos com as operações entre o BRB e o Banco Master, e que não recebeu qualquer recurso da gestora da Reag. Apesar das controvérsias, a banca reafirmou que as operações do fundo seguem normalmente, sem relação com a liquidação da Reag.
