Incertezas Politicas na Despedida de Ibaneis
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), concluiu seu mandato neste sábado, em um momento repleto de incertezas, exatamente um ano após o conturbado anúncio da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), um escândalo que gerou a maior crise da sua gestão desde a sua eleição em 2018.
Ibaneis formalizou sua renúncia durante uma cerimônia comemorativa do 55º aniversário de Ceilândia, região administrativa da capital. Reeleito com uma vitória expressiva em 2022 e no primeiro turno, o governador agora se prepara para uma nova empreitada: sua candidatura ao Senado. Essa decisão ocorre em meio ao avanço das investigações e à incerteza sobre o futuro do BRB, que enfrenta perdas bilionárias decorrentes da operação com o Master.
O BRB, sob controle do Governo do Distrito Federal, está passando por dificuldades para cumprir o prazo de divulgação de seus resultados em 2025, estipulado para 31 de março. A busca por uma solução para os problemas de patrimônio do banco se tornou uma prioridade.
Despedida e Expectativas Futuras
Em um clima de despedida, Ibaneis promoveu um jantar para candidatos do MDB em Brasília na última quarta-feira (25). Durante o encontro, ele expressou confiança em sua candidatura ao Senado e na candidatura de sua vice, Celina Leão (PP), ao governo local.
O governador comentou sobre a possibilidade de o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, fechar um acordo de delação premiada. Segundo Ibaneis, todas as transações de seu escritório estão devidamente documentadas e realizadas dentro da legalidade, defendendo sua gestão diante das polêmicas.
No entanto, o desgaste político de Ibaneis fez surgir rumores de que ele poderia retirar sua candidatura ao Senado para manter o foro especial até o término de seu mandato, que se encerra no início do próximo ano. Em diversas ocasiões, o governador foi forçado a reiterar que deixaria o cargo neste mês.
“Ele não tem mais apoio. Esta semana, as críticas aumentaram, e não apareceu um deputado da sua base para defendê-lo. A situação é preocupante”, comentou o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF).
Novos Movimentos na Política do DF
No último mês, o PL, partido que foi aliado de Ibaneis e do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou sua saída da base governista, agitando ainda mais o cenário político local. O PL já revelou planos de lançar duas candidatas para o Senado na chapa de Celina: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), um movimento que deixa Ibaneis fora do acordo.
Aliados dos dois partidos reconhecem que a configuração atual precisa ser ajustada. A equipe do governador acredita que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, será influente para convencer Bia a desistir de sua candidatura ao Senado em favor da reeleição na Câmara.
Durante o jantar promovido por Ibaneis, correligionários do governador discutiram estratégias para a campanha. Eles acreditam que, uma vez iniciada a competição, Ibaneis poderá destacar os feitos de sua gestão em contraste com as adversárias, que, segundo aliados, não teriam um legado significativo a apresentar aos eleitores, mas apenas discursos ideológicos.
Desafios em Meio à Crise
No entanto, os opositores de Ibaneis apostam que a crise em torno do BRB-Master pode desgastá-lo ainda mais até as eleições de outubro. O senador Izalci Lucas (PL) se coloca como pré-candidato ao governo, afirmando que a situação do partido não sustentará o apoio à candidatura de Celina.
“A candidatura do Ibaneis está em risco; novos problemas surgem todos os dias. Já houve um rombo que prejudicou a economia do DF”, afirmou Izalci, ressaltando que as chapas ainda estão indefinidas.
Nos bastidores, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) é cotado como uma possível alternativa para a disputa ao Senado ou ao governo, caso Ibaneis e Celina desistam de suas candidaturas. Quando questionado, Prudente enfatizou seu foco na reeleição para deputado federal, afirmando que as dinâmicas entre Michelle, Bia e Ibaneis precisarão ser ajustadas no futuro, e que qualquer mudança na chapa deverá ser uma decisão pessoal do governador.
