Governador Defende sua Integridade
No dia 3 de outubro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), declarou estar ‘totalmente limpo’ em referência às investigações que envolvem o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Sua afirmação veio na esteira dos pedidos de impeachment que foram protocolados pela oposição, os quais, segundo ele, fazem parte de um processo ‘extremamente democrático’.
O advogado do Banco Master, Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal (PF), mencionou que teve uma reunião pessoal com Ibaneis para discutir a venda do banco para a instituição estatal. Apesar da gravidade das alegações, o governador minimizou a importância do encontro, argumentando que Vorcaro é um empresário conhecido que mantém relações com diversos agentes públicos. “Sabemos que todos esses empresários têm relacionamentos com políticos”, disse Ibaneis, durante a inauguração do Na Hora Empresarial em Brasília.
Ele também citou um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o mesmo empresário, insinuando que isso não configura um problema e que é uma prática comum no meio político.
Pedidos de Impeachment e Reações Políticas
No dia 23 de janeiro, os partidos PSB e Cidadania apresentaram pedidos de impeachment contra Ibaneis na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). No mesmo dia, o PSOL protocolou uma representação adicional. A situação se agravou quando cinco outros partidos – PT, Rede, PDT, PCdoB e PV – entraram com uma notícia de fato no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 26 de janeiro, solicitando a investigação de supostos crimes e atos de improbidade administrativa ligados ao governador no âmbito do caso BRB-Master. Os partidos argumentam que o afastamento de Ibaneis é necessário para garantir a integridade das investigações.
Complementando essas ações, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL) requisitou ao Ministério Público Federal (MPF) a abertura de uma investigação contra o governador, além de solicitar o bloqueio de seus bens.
Desdobramentos Jurídicos do Caso Master
O caso envolvendo o Banco Master está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, após a citação do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ser descoberta em documentos apreendidos. O processo, anteriormente sob a competência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foi remetido ao STF a pedido da defesa de Vorcaro, que alegou a presença de uma autoridade com foro privilegiado.
Recentemente, em uma nota divulgada, Toffoli indicou que o caso pode ser devolvido à primeira instância se, ao término das investigações, ficar comprovado que não há autoridade com foro privilegiado envolvida nas alegações. Essa possibilidade mantém em suspense não apenas o futuro de Ibaneis Rocha, mas também a integridade das instituições envolvidas nas investigações.
Com o clima político em ebulição e as investigações em curso, muitos observadores se perguntam como as ações judiciais e políticas influenciarão a administração de Ibaneis e a política no Distrito Federal nos próximos meses.
