Segunda morte de gestante em hospital público preocupa famílias e autoridades
Na última segunda-feira (13), o Hospital Regional de Samambaia registrou a morte de uma mulher de 25 anos durante o parto, configurando o segundo óbito de gestante na unidade em apenas três dias. Familiares da vítima apontam falhas e negligência no atendimento, afirmando que a paciente havia solicitado uma cesariana que não foi realizada, sendo submetida ao parto normal, o que, segundo eles, contribuiu para o desfecho fatal.
Maria Aparecida Galdino dos Santos deu entrada no hospital na noite de domingo (12) com dores intensas. O parto aconteceu no dia seguinte, por volta das 14h, mas após o nascimento da bebê, Maria começou a apresentar um sangramento que evoluiu para uma hemorragia grave.
Procedimentos emergenciais e complicações após o parto
De acordo com os familiares, a equipe médica precisou realizar dois procedimentos de raspagem para remover a placenta retida dentro do útero. A hemorragia persistente levou à necessidade de cirurgia para retirada do útero, procedimento que se estendeu até as 20h. Foi nesse momento que a família foi informada do falecimento de Maria Aparecida.
Este caso se soma à morte de outra gestante na última sexta-feira (10), Maria Graciana Andrade Alves, que faleceu durante o trabalho de parto após 41 semanas de gestação. Segundo relatos, a paciente informou à equipe médica que não se sentia preparada para um parto normal, mas a tentativa do procedimento foi mantida por horas, com a cesariana sendo realizada somente após sinais de sofrimento fetal no bebê.
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Hemorragias e intervenções cirúrgicas marcam os casos recentes
Maria Graciana também sofreu hemorragia grave e passou por cirurgia para retirada do útero. Durante o procedimento, teve paradas cardiorrespiratórias e faleceu horas depois na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Esses dois casos recentes reacendem o debate sobre a qualidade do atendimento obstétrico na unidade.
Secretaria de Saúde e Ministério acompanham apuração dos casos
Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que determinou a apuração imediata e rigorosa dos fatos para identificar eventuais falhas no atendimento. “A Secretaria não é conivente com quaisquer falhas. Se forem constatadas responsabilidades, todos os envolvidos serão rigorosamente responsabilizados, com a adoção imediata das medidas administrativas, disciplinares e legais cabíveis”, destacou o comunicado.
O Ministério da Saúde também acompanha a investigação em parceria com a SES-DF, ressaltando a importância do pré-natal para prevenir complicações durante a gestação, parto e puerpério. A pasta enfatizou ainda a orientação da nova Caderneta da Gestante para a elaboração do Plano de Parto, que deve registrar as preferências da mãe, incluindo a presença de acompanhante e métodos para controle da dor.
Histórico de denúncias por negligência no atendimento obstétrico
Casos de denúncias relacionadas a falhas no atendimento a gestantes e recém-nascidos são frequentes na unidade hospitalar. Nos últimos quatro anos, pelo menos quatro famílias relataram negligência médica no Hospital Regional de Samambaia.
Em 2024, um bebê morreu após a mãe passar 30 horas em trabalho de parto sem atendimento adequado. No mesmo ano, uma gestante de 30 anos faleceu após procurar atendimento em diferentes hospitais do Distrito Federal, incluindo o de Samambaia.
Em 2023, uma jovem de 19 anos perdeu o bebê e precisou aguardar quatro dias internada antes que um procedimento para induzir o parto fosse realizado. No ano anterior, uma gestante de 37 anos e sua filha morreram durante o parto na unidade, com relatos de que a paciente apresentou vômitos e urina com sangue.
Esses episódios evidenciam a necessidade urgente de melhorias no atendimento obstétrico do hospital para garantir a segurança e o cuidado adequados às gestantes e seus bebês.

