Família Levanta Suspeitas de Erro Médico
A família de João Clemente Pereira, um paciente que pode ter sido vítima de um ato criminoso no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, expressou dúvidas sobre as circunstâncias de sua morte. A situação se tornou ainda mais alarmante após relatos de outras vítimas no mesmo hospital.
João, de 63 anos, residia no Riacho Fundo I e era funcionário da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). Ele foi internado no hospital no dia 4 de novembro para tratamento de um coágulo na cabeça. Após apresentar algumas complicações respiratórias, foi necessário realizar uma traqueotomia e ele foi transferido para a UTI.
De acordo com os familiares, o estado de saúde de João apresentava sinais de melhora. No entanto, em 17 de novembro, treze dias após sua internação, ele sofreu uma parada cardíaca e faleceu na UTI. “Todo mundo achou estranho, porque ele foi internado por um problema cerebral, e não havia nenhum histórico de doenças cardíacas que justificasse uma parada súbita”, comentou Valéria Pereira, filha do paciente.
Pela primeira vez, a família começou a suspeitar de um possível erro médico. Valéria pediu o prontuário do pai ao hospital antes de saber de outras mortes suspeitas, acreditando que haveria um erro na condução do tratamento.
Investigações Revelam Padrão de Mortes Suspeitas
O caso de João é um dos três óbitos que estão sendo investigados pela Polícia Civil, todos ocorridos sob circunstâncias intrigantes. Um técnico de enfermagem de 28 anos está no centro das investigações, sendo suspeito de ter administrado doses letais de medicamentos nos pacientes, configurando um possível homicídio.
As investigações indicam que o técnico injetou substâncias potencialmente mortais em alguns pacientes, incluindo desinfetante em uma das vítimas. O delegado Wisllei Salomão, responsável pela investigação, revelou que durante um interrogatório, o suspeito inicialmente negou as acusações, mas acabou confessando ao ser apresentado a vídeos das câmeras de segurança do hospital.
Além do técnico acusado, outras duas profissionais de enfermagem também são investigadas por supostamente ajudarem nos crimes. A apuração segue para identificar se há mais vítimas associadas a esse escândalo de saúde.
Piora Súbita Levanta Questionamentos
Segundo Márcia Reis, diretora do Instituto Médico Legal, as três vítimas tinham condições de saúde distintas, mas todas apresentaram um agravamento súbito que chamou a atenção das autoridades e dos investigadores. As imagens de segurança da UTI mostraram que momentos de deterioração das condições dos pacientes coincidiam com a administração de medicamentos.
Dentre as vítimas, estão a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, além de João. O caso de Miranilde é especialmente chocante: o técnico teria utilizado uma seringa para injetar 13 aplicações de desinfetante, o que resultou em sua morte.
Conforme o delegado, o técnico chegou a usar a senha de um médico para obter medicamentos e aplicá-los sem supervisão. Ele tentava esconder suas ações realizando massagem cardíaca nos pacientes para simular reanimação.
Medidas e Respostas do Hospital e das Autoridades
As demissões dos técnicos envolvidos ocorreram em resposta às evidências coletadas. A Polícia Civil prendeu os suspeitos e cumpriu mandados de busca e apreensão em várias localidades. O hospital, por sua vez, se manifestou afirmando que tomou medidas rigorosas após identificar os óbitos atípicos e que colaborou com as investigações.
Além disso, o Hospital Anchieta enfatizou que está comprometido com a transparência e a segurança dos pacientes. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal também acompanha o caso, aguardando a evolução das investigações legais antes de emitir qualquer posicionamento definitivo.
O caso continua a ser investigado, e as autoridades permanecem em busca de mais informações sobre outras potenciais vítimas que podem ter passado por situações semelhantes.
