Mobilização em Alta na UnDF
A Universidade do Distrito Federal (UnDF) passa por um momento de intensa mobilização. Em assembleia realizada no dia 12 de março, os docentes decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir de 20 de março. A decisão ocorreu em um contexto de pressão crescente sobre a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Logo após, os estudantes também se reuniram e aprovaram a greve estudantil, além da ocupação do campus do Lago Norte.
A greve dos professores foi formalizada durante a 22ª Assembleia Geral Extraordinária da Seção Sindical dos Docentes da UnDF (SinDUnDF). O comunicado oficial ressaltou que a decisão respeita o prazo legal de 72 horas e é fruto de um longo histórico de tentativas de negociação com a reitoria e com o Governo do Distrito Federal (GDF).
Negociações Esgotadas e Demandas Ignoradas
Os docentes defendem que a greve é um reflexo do esgotamento das vias de diálogo. Em conversa com o Correspondente local de AND, relataram que, ao longo dos últimos anos, participaram de grupos de trabalho, reuniões institucionais e apresentaram propostas formais para melhorar as condições de trabalho e reestruturar a carreira. Contudo, afirmam que não houve avanços significativos.
Entre os principais problemas apontados, está a sobrecarga de trabalho. Professores e tutores denunciam a falta de critérios claros na distribuição da carga horária, inconsistências nos Planos Individuais de Trabalho (PIT) e a ausência de diretrizes institucionais que organizem as atividades de ensino, pesquisa e extensão de forma equilibrada. Além disso, enfatizam que propostas coletivas, que incluíam estudos técnicos e simulações de impacto financeiro, não avançaram dentro do Governo Distrital.
Valorização Profissional em Questão
Outro aspecto crucial da mobilização é a valorização profissional. Atualmente, os docentes da UnDF ocupam a segunda posição entre os salários mais baixos do GDF, o que compromete a retenção de profissionais qualificados. A crise também se estende à governança da universidade, com críticas à falta de eleições regulares para a reitoria desde a sua criação em 2021 e à composição dos conselhos superiores, que, segundo os docentes, não garante a devida representação como exige a legislação educacional e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
Além disso, há queixas sobre o descumprimento de decisões judiciais e medidas administrativas que perpetuam irregularidades na gestão da universidade.
Estudantes se Mobilizam
A mobilização estudantil, no mesmo sentido dos docentes, trouxe uma pauta própria. Em assembleias ocorridas nos três turnos na segunda-feira, 16 de março, a greve estudantil foi aprovada com uma ampla maioria: 74 votos favoráveis pela manhã, 49 à tarde (com 6 abstenções) e 51 à noite (com 15 abstenções e 9 votos contrários).
Essa mobilização dos estudantes é uma resposta à decisão do governo do DF de transferir cursos para um prédio alugado em Ceilândia, a mais de 30 km de distância, por meio de um contrato que ultrapassa R$ 110 milhões em cinco anos. Esse movimento, segundo os estudantes, foi feito sem consultar a comunidade acadêmica.
O Diretório Central Acadêmico (DCA) afirma que o movimento visa pressionar pela reabertura do diálogo com a reitoria e o GDF, reivindicando uma participação efetiva nas decisões que interferem na formação e permanência estudantil. Estudantes relatam que a mudança pode aumentar consideravelmente o tempo de deslocamento, elevar os custos de transporte e prejudicar recursos que poderiam ser investidos em assistência estudantil.
Greve e Ocupação: Uma Luta por Futuro
Um levantamento realizado entre os alunos mostra que 69% consideram a mudança negativa, e 226 estudantes afirmam que podem trancar o curso se a transferência for consumada. Além da greve, os estudantes iniciaram a ocupação do campus Norte, transformando-o em um espaço de mobilização e debate sobre o futuro da universidade.
Embora a paralisação cause impactos imediatos, como a suspensão de aulas e atividades acadêmicas, professores e alunos acreditam que essa luta é fundamental para garantir um futuro melhor para a UnDF. Eles enfatizam que a universidade tem um papel estratégico no desenvolvimento do Distrito Federal, principalmente na formação de profissionais qualificados.
Um Cenário de Crise e Insatisfação
Os manifestantes defendem que promover melhorias nas condições de trabalho, fortalecer a carreira docente e garantir uma gestão democrática são passos essenciais para consolidar a UnDF como um polo de ensino, pesquisa e extensão. Para eles, a greve representa um esforço para instaurar um projeto de universidade pública que contribua de forma duradoura para o desenvolvimento da região.
Esse movimento grevista ocorre em um contexto de instabilidade mais ampla no GDF, evidenciada pela recente tentativa do governador Ibaneis Rocha de salvar o Banco Master. Esse cenário reforça entre docentes e estudantes a percepção de que o antigo modelo de estado não é capaz de promover a democratização do ensino superior. Os envolvidos na mobilização apontam a falta de transparência, a ausência de prioridade orçamentária e o descaso nas negociações.
Enquanto as negociações não são retomadas, a mobilização continua, com professores em greve e estudantes ocupando o campus, criando expectativas sobre novos desdobramentos nos próximos dias.
