Preparação para o segundo turno e debate presidencial
Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dedicam o dia 21 a agendas internas em Brasília, alinhando as últimas estratégias para o segundo turno. Ambas as campanhas focam em atos, discursos e ações nas redes sociais, além da preparação para o debate presidencial da TV Globo, que ocorrerá na sexta-feira (23), no Rio de Janeiro.
Agenda de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro se reunirá com sua equipe de comunicação e aliados, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também estará na capital federal. Durante o dia, o candidato do PL não terá compromissos públicos, mas realizará uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube às 19h, prática habitual às quintas-feiras.
Para a sexta-feira (23), Flávio deve permanecer no Rio de Janeiro, focado na preparação para o debate com Lula, que será o último confronto direto antes da eleição. Ele já encerrou os atos de rua em São Paulo e no Nordeste, com passagem recente por Guarulhos e Fortaleza, e planeja visitar Rio de Janeiro e Belo Horizonte até sábado (24), véspera da votação final.
Agenda de Lula e movimentação no TSE
Enquanto isso, o presidente Lula permanecerá no Palácio da Alvorada, com sua equipe indo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h para renovar o desafio a Flávio Bolsonaro sobre a derrubada de sigilos. Após Flávio estabelecer vinte condições para aceitar o desafio, o petista concordou com os termos, que incluem a abertura do sigilo do cartão corporativo, especialmente da primeira-dama Janja Lula da Silva, além da lista de visitantes do Palácio do Planalto e do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
O porta-voz da campanha de Lula, Camilo Santana, afirmou que o momento da entrega do novo documento ao TSE será o prazo final para que Flávio aceite o desafio. O senador ressaltou que o PT deseja concluir essa iniciativa antes das eleições.
Leia também: 7 de Setembro reúne Lula em Brasília e Flávio Bolsonaro na Paulista em atos distintos
Leia também: Pesquisa Quaest revela cenário da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno
Lula não terá compromissos públicos próximos à eleição para preservar a voz para o debate na TV Globo. Entrevistas e gravações foram desmarcadas, e o presidente tem contado com acompanhamento fonoaudiológico para suportar o intenso ritmo de compromissos, caminhadas e comícios.
Disputa pelo “desafio dos sigilos”
A disputa pelo chamado “desafio dos sigilos” concentra o debate eleitoral nos últimos dias antes do segundo turno. Lula lançou o desafio durante o debate da Band no domingo (18) e formalizou pedido no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de seus familiares, desde que Flávio faça o mesmo.
Flávio respondeu classificando a oferta como “gaveta vazia”, destacando que o patrimônio de Lula não está em seu nome, mas sim em terceiros. O senador autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, além dos relacionados a empresas das quais é sócio ou administrador. Também não se opôs à liberação das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Por outro lado, Flávio apresentou uma extensa lista de exigências, que inclui a abertura dos sigilos do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, documentos sobre relações do governo com Vorcaro e a lobista Roberta Luchsinger, além dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023. Também solicitou informações sobre a agenda da primeira-dama Janja antes de fevereiro de 2025, visitas dos filhos do presidente ao Palácio do Alvorada, uso de helicóptero e despesas do palácio.
Principais exigências de Flávio Bolsonaro
Entre as demandas encaminhadas ao TSE estão:
Leia também: Lula se prepara em Brasília para debate decisivo contra Flávio Bolsonaro
Leia também: Lula e Flávio Bolsonaro participam de missas em Brasília no Dia de Nossa Senhora Aparecida
- Sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que teria recebido R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger.
- Agenda da primeira-dama Janja Lula da Silva anterior a fevereiro de 2025, visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada, uso de helicóptero e gastos do Palácio.
- Todos os gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023.
- Registros da reunião de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, além das entradas dele e de intermediários no Planalto e no Alvorada desde 2023.
- Entradas nos palácios, voos da Força Aérea Brasileira (FAB) e reuniões do governo envolvendo Roberta Luchsinger e sua empresa, além dos respectivos sigilos.
- Abertura das empresas dos filhos de Lula, incluindo uma offshore na Espanha ligada a Fábio Luís, o Lulinha.
- Dados bancários, fiscais e telefônicos do irmão de Lula, Frei Chico, e do Sindnapi, sindicato de aposentados do qual ele é vice-presidente.
Flávio solicitou ao TSE que intime Lula a aceitar as condições e que registre eventual recusa como iniciativa do adversário.
Camilo Santana declarou que Lula aceitará todas as condições desde que Flávio também cumpra sua parte. Nesta quinta-feira (22), a campanha petista protocolará a resposta no TSE e aguardará que a equipe de Flávio compareça para entregar os sigilos solicitados, incluindo os de pessoas e empresas indicadas.
Próximos movimentos e preparação para o pleito
Com o duelo institucional pelo desafio dos sigilos em evidência, as campanhas intensificam as articulações na reta final. Flávio Bolsonaro e Lula mantêm agendas internas em Brasília, enquanto se preparam para o debate que pode influenciar os votos decisivos. A movimentação no TSE sinaliza a importância do tema para ambos os lados, que buscam transparência e condições iguais no pleito.
A cidade de Horizonte (MG) figura entre os locais previstos para visitações de Flávio, reforçando a estratégia de presença em regiões-chave até o sábado (24), véspera da votação final. O cenário político permanece tenso, com atenção concentrada nas decisões institucionais e nas disputas que impactam diretamente a dinâmica eleitoral.

