Um Marco na Educação Popular em Saúde
Nos dias 26 a 28 de março de 2026, mais de 240 alunos de seis turmas regionais participam do último encontro presencial da primeira edição da Especialização em Educação Popular em Saúde, promovida pelo Núcleo de Educação Popular, Cuidado e Participação na Saúde da Fiocruz Brasília. O evento é realizado em parceria com a Coordenação Geral de Educação Popular em Saúde do Ministério da Saúde, e simboliza a conclusão de um ciclo formativo com duração de 12 meses, centrado na filosofia de Paulo Freire.
O curso, que enfatiza a importância da prática e do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), abordou durante sua duração a Política Nacional de Educação Popular em Saúde, visando a capacitação de profissionais para atuar em contextos que valorizam saberes populares e comunitários.
“Este é um caminho que promove conhecimento compartilhado, num processo repleto de diálogos e conexões com os territórios”, explicou Vera Dantas, médica sanitarista e educadora popular, que está à frente da coordenação pedagógica nacional da especialização. Sua fala poética capturou a essência da formação, que busca integrar corpo, mente e coração.
A Apresentação dos Trabalhos de Conclusão
Um dos momentos mais aguardados do encontro será a apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), que totalizam cerca de 200 projetos em todo o Brasil. Essas apresentações ocorrerão nos dias 27 e 28 de março, em um formato de seminário, onde os educandos poderão compartilhar experiências e aprendizados adquiridos ao longo do curso. Os TCCs representam a diversidade dos territórios dos alunos, com participações de trabalhadores da saúde, conselheiros, lideranças populares e movimentos sociais, que trazem pesquisas, projetos e relatos de experiências que conectam conhecimento científico e saber local.
Rosiele Ludke, uma camponesa de Paraíso do Sul e participante da turma Sul, destacou que sua participação foi fundamental para sistematizar a experiência do grupo Florescer, que gera e comercializa alimentos agroecológicos. “Ao revisitar as obras de Paulo Freire, percebi que já praticava sua pedagogia, utilizando metodologias participativas e rodas de conversa. O TCC é um registro bonito e transformador dessa jornada”, afirmou Rosiele.
Encontros Regionais: Celebrando a Educação Popular
Os encontros presenciais ocorrem simultaneamente em seis polos regionais, cada um com suas atividades específicas, mas todos refletindo um espírito de avaliação e partilha de saberes. No Nordeste 1, as atividades são concentradas na Fiocruz Ceará, em Eusébio, onde os alunos se reúnem para a avaliação do curso e apresentações dos TCCs, encerrando com um ato cenopoético e roda de conversa.
No Nordeste 2, a programação acontece na Fiocruz Pernambuco, em Recife, com seminários sobre Educação Popular em Saúde e celebrações de formatura. A região Norte se reúne na Escola Tocantinense do SUS em Palmas, com um ato de abertura e avaliações coletivas, seguido das defesas dos TCCs.
O Centro-Oeste encontra sua sede na Fiocruz Brasília, onde também ocorrem momentos avaliativos e defesas dos trabalhos. Já o Sudeste escolheu Vitória, no Espírito Santo, com atividades que incluem avaliação do curso e defesas dos TCCs. Por fim, na região Sul, o encontro acontece em Porto Alegre, com programação voltada à análise coletiva do processo educativo e perspectivas futuras.
A Importância da Especialização
A especialização representa uma iniciativa estratégica de capacitação de profissionais e lideranças para o SUS, utilizando metodologias participativas que revalorizam a educação popular como elemento fundamental na construção da democracia e da participação social. Segundo Osvaldo Peralta Bonetti e Maria Rocineide Ferreira da Silva, coordenadores do curso, é um momento para fortalecer redes e traçar novos caminhos na saúde do país.
Marce Fideles, coordenadora da turma no Sudeste, ressaltou os desafios enfrentados durante o processo de construção coletiva do curso. “É um ciclo que solidifica a base da Política Nacional de Educação Popular em Saúde”, afirma.
Um Recomeço em Forma de Celebração
Os três dias de março não apenas simbolizam o encerramento de um curso, mas também o reencontro entre os alunos e seus compromissos éticos e políticos com a educação popular. Este evento é visto como um rito de passagem e um ato de resistência, reforçando que a saúde é construída através da escuta, do compartilhamento e da valorização dos saberes que emergem dos territórios.
