Evento Celebra 50 Anos de Grupo Empresarial
No último sábado, 14, Brasília foi palco de uma festa que reuniu importantes empresários e figuras políticas, abrangendo desde a esquerda até a direita do espectro político. O evento, que comemorou os 50 anos do grupo empresarial fundado pelo ex-governador Paulo Octávio, contou com a presença de cinco ex-governadores, incluindo José Roberto Arruda (PSD) e Agnelo Queiroz (PT). Contudo, a ausência do atual governador Ibaneis Rocha se tornou o assunto mais comentado nas rodas de conversa.
Embora os convidados tentassem evitar discussões que pudessem ofuscar a celebração, duas temáticas dominaram os diálogos: a possível delação do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e as implicações políticas que essas revelações poderiam gerar nas próximas eleições. Muitos se perguntaram se Ibaneis seria mencionado em uma eventual delação.
Implicações da Delação de Daniel Vorcaro
Vorcaro, atualmente detido, relatou à Polícia Federal ter conversado com Ibaneis sobre a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). O empresário afirmou que o governador já havia visitado sua residência, o que foi negado por Ibaneis. Informações da PF e do Banco Central indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos do Master.
Adicionalmente, o jornal Estadão revelou que, em setembro de 2023, Ibaneis assinou, por meio de seu escritório de advocacia, a venda de R$ 10 milhões em honorários para um fundo associado à Reag Investimentos, que está sendo investigada no caso Master, mesmo alegando que não atuava mais no escritório desde 2018.
Silêncio do Governador e Expectativas para o Futuro
O governador tem se mostrado reticente em fornecer esclarecimentos sobre as alegações. Recentemente, ele recusou um convite para prestar esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, justificando a falta de “conhecimento técnico sobre o sistema financeiro” e afirmando não ter envolvimento nas transações entre o BRB e o Master.
Durante a festa, os ex-governadores presentes incluíram, além de Paulo Octávio, nomes como Rogério Rosso, Maria Abadia e Ronaldo Costa Couto. O anfitrião, Paulo Octávio, foi amplamente cumprimentado e declarou que almeja alcançar seu milésimo empreendimento imobiliário em Brasília, destacando os mais de 850 projetos realizados e a geração de emprego para mais de 50 mil trabalhadores.
Arruda e a Disputa Eleitoral de 2026
O ex-governador José Roberto Arruda, que recentemente se filiou ao PSD, foi amplamente abordado durante o evento, especialmente por trabalhadores que atuavam na festa. Arruda aparece em empate técnico nas pesquisas com a atual vice-governadora, recebendo apoio informal do PL em sua campanha. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sinalizou apoio a Celina, mas Arruda está otimista quanto ao respaldo dos membros do PL envolvidos em sua candidatura.
“Se o partido é liberal, como diz o nome, eu combinei que fico no PL, mas podendo apoiar o meu candidato, o Arruda”, comentou o deputado Alberto Fraga (PL-DF) em referência ao apoio esperado para Arruda.
Novas Normas Eleitorais e Inelegibilidade
Com as recentíssimas mudanças trazidas pela Lei Complementar nº 219/2025, o prazo de inelegibilidade decorrente de condenações na Operação Caixa de Pandora está prestes a ser alterado. A nova redação estabelece que, em casos de ações conexas, o prazo de inelegibilidade será de 8 anos a partir da primeira condenação colegiada.
Além disso, o §8º da mesma lei impõe um limite máximo de 12 anos para inelegibilidades somadas. No caso de Arruda, sendo reconhecida a conexão entre as ações, o prazo de 8 anos expirou em 9/7/2022, o que elimina restrições para sua candidatura em 2026. Mesmo em uma interpretação mais restritiva, o prazo ainda se encerraria em 9/7/2026, antes das eleições.
Assim, independente do ângulo observado, a nova regulamentação não impõe impedimentos à participação de Arruda no pleito vindouro.

