Desempenho histórico nas exportações brasileiras

O Brasil começou 2026 com um desempenho notável em seu comércio exterior. No primeiro trimestre do ano, o país registrou exportações que somaram US$ 82,3 bilhões, marcando uma alta de 7,1% em comparação a 2025. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior já registrado para esse período, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Em março, o crescimento foi ainda mais expressivo. As exportações aumentaram 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, totalizando US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio, que representa a soma das exportações e importações, alcançou US$ 56,8 bilhões, com um crescimento de 14,3%.

Agronegócio lidera o crescimento das exportações

O grande destaque do trimestre foi o agronegócio, que alcançou USD 38,1 bilhões em exportações, estabelecendo um novo recorde para os meses de janeiro a março. O setor de soja em grãos liderou os embarques, com um impressionante volume de 23,47 milhões de toneladas, um aumento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros, representando cerca de 30% das exportações do setor, totalizando US$ 11,3 bilhões.

Expansão da diversificação de mercados

A diversificação dos mercados também se destacou neste período. As exportações para a Índia cresceram 47,1%, enquanto as Filipinas registraram um aumento expressivo de 68,3% e o México teve um avanço de 21,7%. Essa ampliação de destinos é vista como um fator positivo para a resiliência da pauta de exportações brasileiras, especialmente em um cenário global incerto.

Indústria extrativa e de transformação contribui para o crescimento

A indústria extrativa, que inclui petróleo e minérios, apresentou um crescimento de 22,6% no trimestre, sendo um dos principais motores para a expansão das exportações em termos nominais. Por outro lado, a indústria de transformação teve um leve avanço de 2,8%, contribuindo de maneira complementar para o resultado geral do comércio exterior.

Cenário desafiador com queda nas exportações para os Estados Unidos

Apesar dos resultados positivos, as exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma queda de 18,7% nesse primeiro trimestre, totalizando US$ 7,78 bilhões. A corrente de comércio bilateral também caiu 14,8%. Essa redução é reflexo das sobretaxas impostas ao longo de 2025. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro tenha invalidado parte das tarifas elevadas, os efeitos ainda reverberam no fluxo comercial.

Uma nova ordem executiva, publicada em fevereiro de 2026, isentou cerca de 46% das exportações brasileiras dessas sobretaxas, mas aproximadamente 29% continuam sujeitas às tarifas da Seção 232, que afetam produtos como aço e alumínio.

Projeções otimistas para o ano de 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que o Brasil deve encerrar 2026 com exportações totalizando US$ 364,2 bilhões, o que representaria um novo recorde e um crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior. As importações devem alcançar US$ 292,1 bilhões, com um aumento de 4,2%, resultando em um superávit estimado de US$ 72,1 bilhões para o ano.

Preparação em meio a um cenário global desafiador

Embora os números sejam encorajadores, o cenário internacional se mantém desafiador. A volatilidade cambial, incertezas nas cadeias de suprimentos globais e os impactos das tarifas americanas exigem uma atenção redobrada das empresas do setor. Especialistas afirmam que uma gestão eficaz dos riscos e do câmbio é um diferencial estratégico essencial no comércio internacional.

“Não se trata mais de perguntar se haverá volatilidade, mas como as empresas podem se preparar para isso”, afirma Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.

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