Crescimento em Setores Chave
No último trimestre de 2025, o agronegócio do Rio Grande do Sul obteve um expressivo volume de exportações, totalizando US$ 4,5 bilhões. Este montante representa 74,4% do total exportado pelo estado, evidenciando a relevância deste setor na economia regional. Apesar de enfrentar uma retração de 6,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, influenciada pela diminuição da oferta de soja, setores como carnes e fumo conseguiram mostrar um desempenho positivo.
Os dados fazem parte do Boletim dos Indicadores do Agronegócio do Rio Grande do Sul, sob a coordenação do pesquisador Sérgio Leusin Júnior, e foram divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG). O boletim abrange não apenas as exportações do quarto trimestre, mas também informações sobre o acumulado do ano de 2025, além de dados sobre o emprego formal no agronegócio gaúcho.
Desempenho do Complexo Soja e Avanços em Carnes
No quarto trimestre de 2025, os principais responsáveis pela geração de divisas no agronegócio gaúcho foram o complexo soja, com US$ 1,6 bilhão, seguido por fumo e seus produtos, que alcançaram US$ 945,1 milhões. O setor de carnes, por sua vez, contribuiu com US$ 755,2 milhões. Também se destacaram produtos florestais, com US$ 329,3 milhões, e cereais, farinhas e preparações, que somaram US$ 297,4 milhões.
Em comparação ao quarto trimestre de 2024, o complexo soja enfrentou a maior queda absoluta, com uma redução de US$ 632,8 milhões, o que corresponde a uma diminuição de 28,8%, em grande parte devido à estiagem. A soja em grão apresentou a pior performance, com uma queda de 34,7%. Em contrapartida, o setor de carnes destacou-se com um crescimento de 18,4%, representando um acréscimo de US$ 117,5 milhões. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela carne bovina, que teve um aumento de 93,7%, e pela carne suína, com alta de 18,3%. O fumo também contribuiu positivamente, apresentando um aumento de 7,1%.
Mercados Destinos e Desafios
A China continua sendo o principal destino das exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul, correspondendo a 33,8% do total exportado. A União Europeia ocupa a segunda posição, com 15,0%. Juntos, esses mercados, incluindo Indonésia, Filipinas, Vietnã, Coreia do Sul e Argentina, representaram 64,5% das vendas externas. No entanto, as exportações para a China caíram 21,7%, refletindo principalmente o desempenho fraco da soja, carne suína e celulose. A situação foi semelhante para os mercados do Egito e Irã, que também registraram quedas. Por outro lado, a União Europeia (+31,2%), Indonésia (+145,2%) e Filipinas (+86,8%) se destacaram com as maiores elevações nas importações no período.
Acumulado de 2025 e Oportunidades de Crescimento
Ao longo de 2025, o agronegócio gaúcho exportou um total de US$ 15,4 bilhões, o que representa 71,5% do total das exportações do estado. Apesar de um recuo de 3,2% em relação ao ano anterior, o complexo soja obteve um valor total de US$ 5,0 bilhões, apresentando uma queda de 20,3%, principalmente devido à redução nos embarques de soja em grão, que recuaram 23,9%. Por outro lado, as carnes (+15,4%) e o fumo (+11,1%) registraram os maiores crescimentos absolutos do ano, com as carnes sustentadas pelas exportações de carne bovina (+69,4%) e suína (+28,1%).
Impacto das Tarifas Americanas e Geração de Empregos
A recente Nota Técnica de Exportações aponta que a avaliação dos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao agronegócio gaúcho ainda precisa de uma análise mais aprofundada dos dados consolidados de comércio exterior norte-americano para 2025. Embora as exportações para os EUA tenham diminuído pelo terceiro ano consecutivo, a participação norte-americana nas exportações do setor permaneceu estável, variando entre 4,5% e 4,9%. Este cenário garantiu ao país a terceira posição entre os principais destinos do agronegócio gaúcho.
O agronegócio do Rio Grande do Sul encerrou 2025 com um saldo positivo de 10.693 empregos formais, totalizando 393.249 vínculos ativos em dezembro. O setor contribuiu com 23,1% das 46.277 vagas criadas na economia gaúcha ao longo do ano. Os destaques na geração de emprego foram o segmento de abate e fabricação de produtos de carne, que criou 4.426 novas vagas, seguido pela fabricação de conservas (1.867) e pela fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários (796), que retornou ao crescimento após dois anos de retração. Apesar de um saldo negativo de 6.787 postos de trabalho no quarto trimestre, situação associada à sazonalidade da produção agrícola, o setor mostra recuperação e potencial para o futuro.
