Mais de 900 Dias de Espera para Atendimento Psicológico no DF

Dados revelados pelo Mapa Social do Distrito Federal indicam que o tempo médio de espera para uma consulta psicológica na rede pública ultrapassou os 900 dias, o que equivale a mais de 2 anos e 7 meses entre o pedido e o primeiro atendimento. Atualmente, existem 7.156 solicitações registradas, das quais surpreendentes 82% ainda não foram atendidas.

O portal Infosaúde, gerenciado pela Secretaria de Saúde do DF, informa que a rede pública conta com apenas 286 psicólogos para atender a mais de 2 milhões de habitantes da capital, a maioria dos quais não tem acesso a planos de saúde. Com isso, estima-se que haja um psicólogo para cada 7 mil pessoas, número que o psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da UnB, Pedro Costa, considera alarmante.

“É evidente que esse número é insuficiente. Aproximadamente 10% dos psicólogos estão atuando no SUS-DF”, afirma Costa. Ele acrescenta que essa situação resulta em uma considerável desassistência à população, que enfrenta filas longas para conseguir o atendimento necessário. “As pessoas que necessitam de suporte psicológico enfrentam uma espera inaceitável, aumentando o risco de agravamento de suas condições de saúde”, explica.

Resposta da Secretaria de Saúde e Futuras Contratações

Em resposta a essa situação crítica, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou, por meio de uma nota, que está implementando um processo de fortalecimento e ampliação da capacidade assistencial. O governo destaca que novas medidas estão sendo adotadas para aumentar a oferta de atendimento, incluindo a criação de novos equipamentos estratégicos.

Além disso, a Secretaria anunciou que concursos para a contratação de psicólogos e outros especialistas estão em fase de tramitação junto à Secretaria de Economia do DF. Contudo, não há uma previsão clara para a divulgação dos editais, o que deixa a população em uma expectativa incerta.

Impacto da Longa Espera na Saúde Mental

A espera prolongada para atendimentos psicológicos, tanto na atenção primária quanto nos centros de atenção psicossocial, pode ter efeitos prejudiciais, conforme apontado por especialistas. Pedro Costa enfatiza a importância do cuidado com a saúde mental, ressaltando que a escassez de psicólogos na rede pública impacta diretamente os grupos mais vulneráveis da sociedade.

“A população que mais depende do SUS, que é a mais vulnerável, é a que mais necessita de apoio psicológico. Infelizmente, são esses indivíduos que mais sofrem com essas deficiências no sistema de saúde”, afirma.

Ausência de Concursos e Sobrecarregamento das Equipes

Outro ponto alarmante é a falta de concursos para a contratação de especialistas, incluindo psicólogos, desde 2014, há impressionantes 9 anos. Os últimos profissionais que foram contratados através dessa seleção ingressaram na equipe em 2018. Essa escassez de novos profissionais contribui para a sobrecarga dos que já atuam, comprometendo a qualidade do atendimento.

A psicóloga Amanda Ventura, que também coordena a Comissão Especial de Psicologia na Saúde do Conselho Federal de Psicologia, alerta que essa situação resulta em equipes sobrecarregadas. “Com uma demanda tão alta, é impossível proporcionar um atendimento de qualidade. Os profissionais acabam adoecendo e não conseguem realizar seu trabalho de maneira eficaz”, explica.

Ventura destaca a importância de ter uma equipe multiprofissional dentro das unidades básicas de saúde para oferecer apoio às equipes de saúde da família, enfatizando que essa estrutura é fundamental para melhorar o atendimento à população.

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