Celina Leão pleiteia ajuda federal para o BRB
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), oficializou um pedido ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o objetivo de obter a autorização necessária para desbloquear um empréstimo ao Banco de Brasília (BRB). Este banco tem enfrentado sérias dificuldades financeiras, resultado de operações fraudulentas envolvendo o Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro.
Na terça-feira (28), o governo do Distrito Federal enviou um ofício ao Tesouro Nacional solicitando o aval do governo federal para avançar nas negociações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor do empréstimo em questão é de R$ 6,6 bilhões.
A gestão atual afirmou, em nota, que “a iniciativa faz parte das medidas que estão sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para assegurar a estabilidade do BRB”.
Com a falta dos recursos necessários para realizar o aporte no BRB, o governo distrital busca alternativas de captação. Contudo, a atual situação financeira do Distrito Federal dificulta a obtenção de garantias do Tesouro, o que poderia resultar em condições mais vantajosas para o empréstimo, como uma taxa de juros reduzida.
O ex-governador Ibaneis Rocha já havia solicitado R$ 4 bilhões ao FGC, enquanto a atual gestão requer um adicional de R$ 2,6 bilhões. Essa estratégia representa o plano A do BRB para sair da crise.
Durante um evento na manhã da última terça, Celina Leão comentou que a proposta foi elaborada de acordo com as exigências do Banco Central e que será apresentada ao ministro Dario Durigan (Fazenda) e também ao presidente Lula.
“Trata-se de um gesto formal, mas esperamos que o presidente acate a solicitação. A formalização está em conformidade com tudo o que foi encaminhado ao Banco Central. Estou confiante de que seremos atendidos”, destacou a governadora.
Ela ainda ressaltou a gravidade institucional da questão, pedindo que o assunto seja tratado com respeito e sem ideologias envolvidas.
Adicionalmente, Celina planeja solicitar uma audiência com Lula para a próxima quinta-feira (30). Neste encontro, ela deverá estar acompanhada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e pelo secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.
Em uma entrevista ao C-Level, videocast semanal da Folha, o presidente do BRB reconheceu a necessidade de apoio do Tesouro para viabilizar a operação solicitada ao FGC e a um conjunto de grandes bancos. “Defendo que, em nome do sistema financeiro brasileiro, possamos obter esse aval”, afirmou. “Acredito que podemos chegar a um entendimento sobre isso”.
O CEO do BRB também mencionou que o ano eleitoral tem dificultado as negociações para uma solução. Celina Leão está alinhada politicamente ao grupo opositor ao PT em Brasília e é pré-candidata ao governo, na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que também se lança ao Senado. “Já poderíamos ter avançado significativamente se a questão não estivesse tão politizada”, comentou.
No último dia 30 de março, a governadora teve uma conversa telefônica sobre o assunto com o ministro da Fazenda. Sem progressos nas negociações, ela chegou a insinuar uma falta de disposição do governo federal. “Não obtivemos resposta sobre nenhum pedido de ajuda. Parece que não há boa vontade para colaborar”, afirmou.
Informações obtidas pela Folha indicam que, durante a ligação com Dario, Celina demonstrou intenção de estreitar o diálogo com o governo de Lula e sinalizou sua adesão ao subsídio do diesel importado. Isso contrasta com a posição de seu antecessor, Ibaneis Rocha, que havia afirmado que o Distrito Federal não participaria do programa do governo federal.
Como um sinal de aproximação com a gestão Lula, Celina apresentou à Câmara Legislativa do Distrito Federal um projeto de lei que autoriza o Executivo a colaborar com a União na subvenção a importadores e distribuidores de diesel destinado ao transporte rodoviário. De acordo com o texto, a cada R$ 1,20 por litro, R$ 0,60 será responsabilidade dos estados e R$ 0,60 ficará com a União. O impacto financeiro máximo para o Distrito Federal está estimado em R$ 11,6 milhões.
