Ocupação do Centrad promete economia bilionária para o DF

Após 12 anos de abandono, o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD-DF), conhecido como antigo Centrad, começa a cumprir a função para a qual foi construído. A governadora Celina Leão anunciou, no dia 9, a ocupação gradual do complexo, que deve gerar uma economia superior a R$ 1 bilhão em cinco anos ao reduzir os gastos do Governo do Distrito Federal (GDF) com aluguéis de imóveis.

A primeira fase da ocupação será concluída até setembro, disponibilizando cerca de 30% da estrutura para uso. Cinco secretarias serão transferidas integralmente para o local: Obras e Infraestrutura, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Mobilidade, Meio Ambiente e DF Legal. Juntas, essas pastas vão ocupar cinco blocos com capacidade para receber até 1.638 servidores. Além delas, Casa Civil, Casa Militar e Secretaria de Governo também passarão a utilizar parte do espaço.

Redução significativa nos gastos com aluguéis

Atualmente, o GDF desembolsa cerca de R$ 168 milhões por ano com contratos de aluguel. De acordo com Celina Leão, apenas a mudança inicial das secretarias deve representar uma economia anual superior a R$ 18 milhões. A expectativa é ampliar a ocupação do CAD-DF progressivamente, aprofundando a redução dos custos públicos.

“Desde que assumi, determinei a redução de 25% nos aluguéis. Agora, estamos transferindo secretarias cujos contratos estão vencendo ou perto de renovação. Essa primeira etapa já traz uma economia significativa para os cofres públicos”, afirmou a governadora.

Descentralização administrativa e estímulo à economia local

Além de economizar, a ocupação do CAD-DF é uma estratégia para descentralizar a administração pública. O complexo está situado entre Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, próximo à Estação Centro Metropolitano do metrô e ao terminal rodoviário de Taguatinga. Segundo o Palácio do Buriti, a movimentação diária de servidores, prestadores de serviço e cidadãos deve fortalecer o comércio local e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

A concentração de diversas secretarias em um mesmo espaço também deve agilizar a integração entre órgãos públicos, facilitar o atendimento à população e diminuir deslocamentos internos.

Do elefante branco ao polo de eficiência

O CAD-DF encerra uma longa novela que se estendeu por mais de uma década, atravessando diferentes governos. Idealizado na gestão de José Roberto Arruda (2007-2010), o projeto foi marcado por denúncias, investigações e disputas judiciais, além de sucessivos atrasos. Inaugurado simbolicamente no fim do governo Agnelo Queiroz (2011-2014), o complexo nunca chegou a funcionar de fato.

Com custo inicial estimado em R$ 660 milhões, o empreendimento ultrapassou R$ 1 bilhão sem cumprir sua finalidade. Agora, o governo quer transformar esse passivo em uma ferramenta de economia, eficiência e desenvolvimento urbano.

Além da transferência das secretarias, estão previstos investimentos em mobilidade, como a construção de uma nova estação rodoviária e a expansão do Metrô, VLT e BRT, além da construção de dois viadutos.

“Essa decisão vai além da economia com aluguel. É uma medida de mobilidade, descentralização e desenvolvimento para Taguatinga, Ceilândia e toda a região. Tenho certeza de que isso vai impulsionar o comércio, gerar oportunidades e melhorar a dinâmica urbana”, destacou Celina Leão.

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