A importância da doação de leite humano no cuidado aos recém-nascidos
No Distrito Federal, a doação de leite humano tem se mostrado um ato crucial para a saúde de muitos recém-nascidos. Um exemplo tocante é a história de Graciele da Silva, que há 14 anos vivia a alegria de amamentar sua filha. Hoje, ela enfrenta uma realidade inversa: sua filha mais nova, Maitê, precisou receber leite doado para se recuperar. Nascida prematura no dia 28 de março, Maitê enfrentou complicações sérias, como convulsões e uma internação prolongada.
“A Maitê é meu milagre”, diz Graciele, que atualmente está no Hospital Regional de Taguatinga, onde sua filha se alimenta por sonda nasal. Este relato enfatiza a importância vital da doação de leite humano, especialmente em momentos críticos.
Nos primeiros meses de 2023, 4.089 recém-nascidos no DF foram beneficiados com leite humano, conforme dados da Secretaria de Saúde (SES-DF). Este número representa um leve aumento em relação ao mesmo período de 2022, quando 4.028 bebês receberam o alimento. Apesar desse avanço, a coleta ainda está aquém do necessário, conforme destaca a coordenadora substituta das Políticas de Aleitamento Materno, Graça Cruz.
Ela explica que a meta mensal é coletar 2 mil litros de leite, priorizando recém-nascidos prematuros e bebês em situações de saúde delicadas. No entanto, a coleta tem enfrentado desafios, especialmente durante as férias. “Em março, esperamos um aumento nas doações, mas no mês passado apenas 1,7 mil litros foram coletados”, afirma Graça.
Rede de apoio aos doadores e beneficiados
A estrutura de apoio a essas doações é robusta em Brasília, com 14 bancos de leite humano e sete postos de coleta. Esses locais não apenas recebem o leite doado, mas também oferecem suporte às mães, realizando o controle de qualidade e a pasteurização antes da distribuição. Os postos de coleta servem como pontos de orientação, ajudando mães a doarem corretamente e garantindo que o leite chegue aos destinatários adequados.
O impacto desse trabalho é evidente nos números de atendimentos realizados: entre janeiro e março deste ano, 44.309 atendimentos em amamentação foram registrados, embora tenha havido uma leve queda em comparação aos 50.546 atendimentos do mesmo período em 2022. Contudo, a quantidade de leite coletado cresceu, passando de 4.365,9 litros no primeiro trimestre do ano passado para 4.675,2 litros em 2023, demonstrando a eficácia do trabalho realizado.
Graça Cruz ressalta que o leite humano é considerado o padrão ouro na alimentação infantil, sendo essencial até a primeira infância. “Após seis meses, a alimentação complementar deve ser introduzida, mas a amamentação deve ser mantida até pelo menos os 2 anos”, enfatiza a especialista. Este incentivo à amamentação destaca ainda mais a importância das doações para a saúde das crianças.
Como você pode contribuir para essa causa
Para mães saudáveis que estão amamentando e possuem excesso de leite, a doação é uma maneira significativa de ajudar. O cadastro pode ser feito pelo programa Amamenta Brasília, disponível na internet ou pelo telefone 160 (opção 4). Assim que o contato é realizado, a doadora é encaminhada ao banco de leite mais próximo, onde recebe orientações detalhadas sobre como manter a higiene, realizar a coleta e armazenar o leite adequadamente.
Graciele resume a importância desse gesto altruísta: “Se não fosse pelo banco de leite, não sei como minha Maitê estaria. O leite doado é fundamental para a recuperação dela; ela está ganhando peso e, em breve, poderá deixar o hospital”. Essa declaração não só ilustra a relevância da doação, mas também reforça como cada contribuição pode fazer a diferença na vida de muitas crianças.

