Desidratação em Dias Quentes: Urina como Indicador

“É fundamental beber água para evitar a desidratação!” Essa frase é comum em dias de calor intenso, mas como saber se o corpo realmente necessita de mais líquidos? A desidratação ocorre quando a perda de água supera a ingestão, e os principais sinais podem ser percebidos na urina. A cor da urina é um dos principais indicativos de que a hidratação está adequada: idealmente, deve ser clara e límpida. Christian Morinaga, gerente do pronto-atendimento do Hospital Sírio-Libanês, explica que “se a pessoa está demorando mais do que o habitual para sentir vontade de urinar, é um sinal claro de que precisa aumentar a ingestão de líquidos”.

Apesar de a desidratação ser um tema preocupante, Carlos Eduardo Pompilio, médico do Hospital das Clínicas, garante que é raro um adulto saudável desidratar, a menos que esteja em situação extrema, como em um deserto. “A sede é um reflexo natural do corpo que indica que precisamos nos reabastecer de água”, destaca Pompilio.

Entretanto, a atenção deve ser redobrada para grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos. Esses indivíduos podem não perceber a necessidade de ingerir líquidos adequadamente, aumentando o risco de desidratação mais severa.

Quantos Litros de Água Beber por Dia?

A quantidade de água que um adulto deve consumir diariamente varia conforme o peso e o nível de atividade física. Em média, recomenda-se a ingestão de cerca de 2 litros por dia. A hidratação é crucial para diversas funções corporais, como:

  • Regulação da temperatura corporal;
  • Melhora da circulação sanguínea;
  • Proteção e abastecimento das células;
  • Auxílio no metabolismo;
  • Manutenção da saúde da pele;
  • Funcionamento adequado do intestino e dos rins;
  • Desintoxicação do organismo.

Sintomas de Desidratação em Adultos Saudáveis

A principal manifestação da desidratação é o escurecimento da urina. Se um adulto não estiver urinando com a frequência habitual ou a quantidade for significativamente menor, isso pode indicar uma baixa ingestão de líquidos. Pompilio alerta que, se o consumo de água não for aumentado, outros sintomas podem aparecer, como sonolência e aumento da frequência cardíaca. O calor dilata os vasos sanguíneos, o que pode levar a uma queda na pressão arterial, forçando o coração a compensar batendo mais rápido.

É esperado que adultos saudáveis reconheçam esses sinais corporais. No entanto, aqueles com condições médicas pré-existentes, como problemas cardíacos ou renais, precisam de um acompanhamento mais cuidadoso para evitar sobrecargas e complicações.

Atenção Redobrada para Crianças e Idosos

Segundo Ricardo Barroso, endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, crianças e idosos são os grupos mais suscetíveis à desidratação. Bebês e crianças pequenas podem não expressar sua sede devido à distração em brincadeiras ou por não saberem comunicar a necessidade. Além disso, possuem uma proporção de superfície corporal maior do que os adultos, fazendo com que a perda de líquidos ocorra mais rapidamente.

Os idosos enfrentam desafios semelhantes, já que a percepção de sede diminui com a idade. Segundo Barroso, “o sistema nervoso central dos idosos perde a capacidade de sinalizar quando o corpo está hidratado”. Portanto, é essencial que familiares ou cuidadores fiquem atentos à frequência e à coloração da urina dos idosos, além de garantir a presença constante de água disponível para eles. Os sintomas de desidratação, como cansaço e confusão mental, podem demorar mais para se manifestar, sendo considerados sinais tardios.

A prevenção é a melhor estratégia. Manter a hidratação adequada é vital para a saúde e para evitar complicações relacionadas à desidratação, especialmente em períodos de calor excessivo.

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