O papel do desejo na educação

Com o final do ano se aproximando, é comum que muitos se dediquem a avaliar o que foi feito no período e a traçar planos para o futuro. Especialistas de diferentes áreas são frequentemente convidados a discutir como podem contribuir para melhorar diversas questões sociais, incluindo a educação. Mas, ao invés de focar apenas em projetos, convido à reflexão sobre desejos. O desejo amplia as possibilidades, permitindo que ultrapassemos o simples planejamento e as metas que, muitas vezes, parecem inalcançáveis.

A educação, assim como outras políticas públicas, frequentemente busca padrões de certeza e previsibilidade. É natural que, ao investir recursos, se busque garantir resultados. Contudo, o problema surge quando essas políticas se reduzem a uma lógica de controle e padronização, como se a educação pudesse ser medida apenas por meio de exames e dados quantitativos. Não é assim que se constrói a educação que anseio para 2026.

Desafios e realidades da educação

Considerar a educação apenas sob a ótica do controle é ignorar que o ambiente escolar é, por natureza, imprevisível. A escola é um espaço de relações humanas complexas, onde afetos e subjetividades desempenham papéis cruciais. Ela é palco de permanência e mudança, de histórias pessoais e coletivas, e de conflitos envolvendo diferentes visões de mundo, raça, gênero e sexualidade. Esses aspectos, muitas vezes, são desconsiderados por aqueles que temem a diversidade e as transformações que ela pode trazer.

Para 2026, meu desejo é que os investimentos em educação se voltem para a valorização do salário e das condições de trabalho dos professores. É essencial que haja um compromisso para reconhecer as particularidades de cada contexto escolar, promovendo acordos que respeitem as diferenças. Menos ênfase nas métricas rigorosas e mais foco na solidariedade e na luta pela justiça social e democracia são fundamentais para combater as desigualdades presentes nas nossas instituições de ensino.

Uma nova abordagem para a educação

Essa mudança de perspectiva implica em um respeito maior pela diversidade, seja ela religiosa, sexual ou política. O uso do poder e da força para silenciar essas diferenças não pode ser a solução. Em vez disso, precisamos construir um ambiente educacional que valorize a pluralidade e fomente a inclusão. A educação deve ser um espaço onde todos se sintam seguros para expressar suas identidades e opiniões, contribuindo para uma sociedade mais justa e equitativa.

Portanto, ao olharmos para o futuro, que nossos desejos para a educação em 2026 sejam guiados por uma visão humanista, onde o respeito e a inclusão prevaleçam. Que possamos, juntos, transformar a educação em uma ferramenta de mudança social, capaz de refletir a riqueza de nossa diversidade e de promover o desenvolvimento integral de todos os indivíduos.

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