Banco de Brasília em Crise

Na última segunda-feira, 4, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o Banco de Brasília (BRB) apresenta sérios desafios financeiros, especialmente em função de problemas de liquidez e capital relacionados à compra de ativos do Banco Master. Durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Durigan enfatizou que a responsabilidade pela situação do BRB recai sobre o governo do Distrito Federal (GDF). “Não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso”, declarou o ministro.

Segundo Durigan, a intervenção do governo federal no BRB só seria considerada em casos de risco sistêmico. Caso contrário, existem mecanismos adequados para lidar com a crise sem a necessidade de ajuda do Tesouro Nacional. “Se não tiver risco sistêmico, se for um banco que está com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. Não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro”, afirmou.

O Papel do Tesouro Nacional

Em sua fala, Durigan mencionou que o Tesouro Nacional não deve comprometer recursos públicos para resolver um déficit que não foi suficientemente explicado. Ele sugeriu que o Fundo Constitucional do DF, que inclui recursos da União, pode ser uma alternativa para lidar com a questão. Recentemente, o governo do DF solicitou a aprovação do Tesouro Nacional como garantia para um empréstimo destinado ao socorro do BRB.

Além disso, Durigan fez uma crítica contundente à situação do Banco Master, classificando-o como “o maior escândalo do nosso sistema financeiro”. Ele destacou que a crise do Master teve um impacto profundo, mencionando que, embora os poupadores tenham recebido alguma compensação através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), essa situação prejudicou significativamente as instituições financeiras. “As pessoas receberam, de alguma forma, por conta do FGC, mas o FGC foi bastante abalado, e todos os bancos tiveram que ratear. No fundo, é dinheiro dos poupadores, do sistema, que está sendo utilizado para isso”, explicou o ministro.

Responsabilidades e Investigação

Durigan também apontou que a responsabilidade pela crise no setor bancário deve ser focada em quem supervisionou o processo no Banco Central, desde a autorização do Banco Master até as aprovações para a aquisição de bancos entre 2019 e 2024, mencionando o período da gestão do ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, sem citá-lo diretamente. “Do ponto de vista das investigações, acho que a lei tem que ser exercida e aplicada com rigor no País”, completou.

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