Interesses nas Carteiras do Banco Master
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), abordou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) em meio a negociações com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e está sob investigação da Polícia Federal (PF). Rocha minimizou as estimativas de rombo bilionário no banco estatal, classificando-as como ‘especulação’. Ele afirmou que existem investidores interessados nas carteiras do Banco Master que foram adquiridas pelo BRB. “Temos negociações internas de fundos interessados nas carteiras que eram do Master”, declarou o governador em entrevista à Coluna do Estadão, ressaltando ainda que o BRB contratou uma auditoria para investigar a situação. Uma fonte ligada ao Banco de Brasília confirmou a presença de interessados em comprar ativos recebidos do Banco Master, embora não tenha revelado detalhes adicionais. O banco afirmou que comunicará ao mercado assim que as vendas forem concretizadas.
Cautela das Autoridades
Embora o governador tenha expressado otimismo sobre as negociações, o economista Gustavo Bertotti, responsável pela área de renda variável da Fami Capital, sugere uma postura cautelosa. “É preciso aguardar e obter mais detalhes sobre os interessados e a qualidade dessas carteiras, especialmente considerando que há uma investigação judicial em andamento”, alertou Bertotti. O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, também adverte que a natureza das carteiras vendidas pelo Master ao BRB ainda não está clara. “Se se tratar de créditos fictícios ou fraudulentos, a demanda por esses ativos será praticamente nula”, ponderou.
Estimativas de Rombo Bilionário
Recentes estimativas apontam um rombo de cerca de R$ 4 bilhões no BRB. Investigações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal indicam que o Banco Master teria vendido ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras que, na verdade, não existem. O clima de incerteza foi reforçado por revelações de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem pressionado a administração local para oferecer um socorro financeiro ao BRB, que pode ser alvo de intervenção do Banco Central.
Troca de Créditos por ‘Camaradagem’
Uma decisão judicial que autorizou a operação da PF contra o Banco Master em novembro sugere que as relações entre o BRB e o Master podem ter ocorrido de maneira informal, com a troca de créditos sendo descrita como resultado de ‘pura camaradagem’. Isso indica que o BRB tinha interesse em emprestar recursos ao Master, mas enfrentou limitações em sua exposição, levando a uma série de operações que foram realizadas à margem das formalidades contratuais.
Em um momento em que a confiança nas instituições financeiras é crucial, a situação do BRB levanta questões sobre a transparência e a solidez das operações realizadas. As autoridades e o mercado aguardam desdobramentos desse caso, enquanto analistas seguem acompanhando de perto a evolução das investigações e a resposta do BRB às alegações feitas.
