Uma Realidade Preocupante

Um relatório recente do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), ligado ao Ministério da Justiça, revela um aumento significativo no número de desaparecidos no Brasil. Em 2025, o total de casos chegou a impressionantes 84.760, evidenciando um crescimento de 4,12% em relação ao ano anterior. As proporções alarmantes são observadas principalmente nos estados de Roraima, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, que lideram a lista com altos índices de desaparecimentos.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) destaca que alguns estados, como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, ainda não enviaram todos os dados referentes a dezembro, o que pode impactar a totalização dos casos. Essa falta de informações pode dificultar uma avaliação completa da situação do desaparecimento de pessoas no país.

Desigualdade nas Taxas de Desaparecimento

Roraima apresenta um índice alarmante, com 78,10 casos de desaparecidos a cada 100 mil habitantes, o que é mais do que o dobro da média nacional, que está em 39,71. Essa situação é ainda mais crítica, considerando que, em agosto, denúncias de veículos de comunicação locais, como o Folha de BV, revelaram que o Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas (NIPD) da Polícia Civil de Roraima operava com apenas dois servidores, prejudicando o atendimento e a investigação desses casos. Em comparação, o estado de 2024 já havia registrado uma taxa de 73,7 desaparecimentos por 100 mil habitantes, segundo o Anuário da Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Distrito Federal ocupa a segunda posição, com uma taxa de 74,58 por 100 mil. Para enfrentar esse cenário desafiador, o governo local implementou a Política Distrital de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas, além de criar a Rede Integrada de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas (Ridesap), que tem como alvo a melhoria do atendimento às famílias afetadas. Uma das ferramentas dessa iniciativa é um perfil no Instagram, que divulga casos de desaparecimento e, felizmente, também de pessoas encontradas.

Rio Grande do Sul em Terceiro Lugar

O Rio Grande do Sul, por sua vez, apresenta 67,75 casos a cada 100 mil habitantes. O estado registra um total de 7.611 desaparecimentos, ficando atrás apenas de São Paulo, que contabiliza 20.546, e Minas Gerais, com 9.139. Em contrapartida, Mato Grosso do Sul está na extremidade oposta, com uma taxa de 12,92 casos e uma queda de 3,32% em relação ao ano anterior, demonstrando uma discrepância marcante nas medidas de segurança e nas políticas públicas voltadas para o combate ao desaparecimento.

Análise das Taxas por Estado

Os elevados índices de desaparecimento em diversas regiões do país chamam a atenção. Vejamos as taxas a cada 100 mil habitantes de acordo com a unidade da federação:

  • Roraima — 78,10
  • Distrito Federal — 74,58
  • Rio Grande do Sul — 67,75
  • Espírito Santo — 58,66
  • Rondônia — 58,11
  • Paraná — 54,29
  • Mato Grosso — 54,24
  • Santa Catarina — 52,73
  • Amapá — 50,59
  • Goiás — 48,91
  • Acre — 46,70
  • São Paulo — 44,59
  • Minas Gerais — 42,72
  • Tocantins — 38,38
  • Rio de Janeiro — 36,76
  • Sergipe — 31,66
  • Pernambuco — 28,71
  • Ceará — 27,81
  • Amazonas — 22,72
  • Alagoas — 22,63
  • Rio Grande do Norte — 22,43
  • Paraíba — 22,31
  • Piauí — 21,98
  • Bahia — 20,82
  • Maranhão — 16,84
  • Pará — 14,21
  • Mato Grosso do Sul — 12,92

Medidas Urgentes e Campanha de Conscientização

Em resposta a essa situação crítica, o Ministério da Justiça também lançou a cartilha “O que fazer quando alguém desaparece?”, como parte da campanha “Não espere 24h”, que enfatiza a necessidade de se agir rapidamente ao lidar com desaparecimentos. O MJSP ressalta que o registro da ocorrência deve ser feito imediatamente e que todas as delegacias estão autorizadas a realizar esse procedimento, desconsiderando a antiga crença de que era necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento.

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