O Consumo de Ultraprocessados no Distrito Federal

O Distrito Federal ocupa a oitava posição entre as unidades da federação com maior consumo de alimentos ultraprocessados. Segundo dados de 2024 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, a capital brasileira supera a média nacional em relação a esse tipo de alimento.

De acordo com o estudo, 27,5% dos adultos no DF consumiram cinco ou mais grupos de ultraprocessados no dia anterior à pesquisa, enquanto a média no Brasil é de 25,5%. Esses números acendem um alerta sobre a alimentação dos brasilienses e as consequências para a saúde da população.

Riscos Associados ao Consumo de Ultraprocessados

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) ressalta que o consumo excessivo de ultraprocessados está relacionado a uma série de problemas de saúde. A nutricionista Thassila Arruda explicou que esses alimentos passam por várias etapas de processamento industrial, recebendo adição de açúcar, sódio, gordura e outros aditivos artificiais, resultando em produtos que geralmente carecem de nutrientes.

Thassila também alertou que a ingestão frequente desses alimentos pode trazer sérios prejuízos à saúde a longo prazo, elevando o risco de doenças como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ao substituir alimentos mais naturais, os ultraprocessados contribuem para um desequilíbrio no metabolismo, o que é preocupante.

A Realidade do Dia a Dia dos Brasilienses

Para muitos moradores de Brasília, os ultraprocessados se apresentam como uma solução rápida e econômica para saciar a fome durante o dia. André Costa, de 23 anos, que trabalha como entregador, revelou que, embora se esforce para preparar refeições saudáveis em casa, frequentemente opta por opções menos nutritivas devido à correria do dia a dia.

“No almoço eu consigo trazer minha comida, mas à tarde, muitas vezes, acabo comprando um biscoito ou um salgado. A refeição saudável fica só para o almoço”, lamentou André. A nutricionista Thassila destacou que alimentos mais naturais costumam ter um preço mais alto em comparação com os ultraprocessados. A praticidade e a facilidade de encontrar produtos prontos também incentivam o consumo, especialmente entre trabalhadores com pouco tempo para cozinhar.

Tipos Comuns de Ultraprocessados

Entre os ultraprocessados mais consumidos estão biscoitos, balas, sorvetes, cereais açucarados, refrigerantes, sopas em pó, embutidos, pratos congelados, misturas para bolo e macarrão instantâneo, além de temperos prontos. André mencionou que tentar manter uma dieta equilibrada é desafiador, e já enfrentou problemas de saúde após consumir salgados de baixa qualidade. “Já passei mal por causa de alguns salgados que comi na rua”, disse.

Thassila afirmou que esse cenário demonstra como o ambiente alimentar e as condições de vida afetam as escolhas alimentares, influenciando o acesso a uma alimentação saudável.

O Comércio de Ultraprocessados e os Conselhos de um Vendedor

Rubens Oliveira, de 57 anos, trabalha vendendo produtos ultraprocessados na estação do BRT no Park Way. Ele relatou que é comum ver pessoas consumindo esses produtos enquanto aguardam transporte. Apesar de vender esses alimentos, Rubens aconselha os clientes a não se alimentarem exclusivamente deles, reconhecendo os malefícios à saúde.

“Muitas vezes, eu digo para as pessoas não comerem isso todo dia. Eu trago frutas como banana, manga e maçã para mim, pois sei que são saudáveis”, comentou Rubens. Ele enfatizou que, apesar de vender salgadinhos e balas, orienta os clientes a optarem por lanches mais saudáveis.

Identificando Alimentos Ultraprocessados

O Ministério da Saúde recomenda que os consumidores aprendam a identificar alimentos ultraprocessados por meio da leitura dos rótulos. Uma quantidade elevada de ingredientes (geralmente cinco ou mais) e a presença de nomes estranhos indicam que o produto é ultraprocessado. Além disso, um símbolo na embalagem indica o teor elevado de açúcares, gorduras saturadas e sódio, ajudando os consumidores a fazer escolhas mais informadas.

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