De origem humilde ao empreendedorismo no Distrito Federal
Vestida com seu icônico vestido verde, maria-chiquinhas e carregando uma cesta recheada de pirulitos e doces, Taires Santos, de 31 anos, percorre bares, feiras e ruas do Distrito Federal caracterizada como a Chiquinha, personagem do famoso seriado mexicano Chaves. Sob sol forte ou chuva, ela mantém firme a rotina que garante o sustento da sua família e a sua independência financeira.
Por trás dessa fantasia que chama atenção, está uma trajetória marcada por persistência e recomeços. Taires, conhecida nas redes sociais como @chiquinhadebrasilia, vive exclusivamente da venda dos doces ao lado do amigo e sócio Kemerson Silva, 30 anos.
O instinto empreendedor que vem da Bahia
Natural de Oliveiro dos Brejinhos, na Bahia, Taires chegou a Brasília há aproximadamente 10 anos em busca de melhores oportunidades. Antes de se destacar como empreendedora vestida de Chiquinha, ela trabalhou em uma padaria e vendia salgados nas ruas de Taguatinga para sustentar os dois filhos, de 11 e 3 anos.
O espírito empreendedor, segundo ela, vem da infância. “Minha mãe fazia pão caseiro, vendia verduras e geladinhos para ajudar a complementar a renda da família”, conta Taires. A experiência da mãe em pequenas vendas em casa foi inspiração para que ela nunca desistisse de buscar seu próprio caminho.
Da padaria para as ruas: a virada no negócio
Em Brasília, Taires conheceu Kemerson na padaria onde trabalhava. Pouco tempo depois, decidiu empreender por conta própria, vendendo salgados em empresas na região de Taguatinga. Usava uma bicicleta motorizada para circular pelas ruas, mas a trajetória não foi fácil.
Uma sabotagem inesperada, quando uma vizinha colocou açúcar no tanque da bicicleta, interrompeu essa fase. Porém, ela transformou o problema em oportunidade: investiu na venda de doces, pirulitos e guloseimas, que tinham maior durabilidade e atraíam um público mais diversificado.
Leia também: Roberta Miranda Brilha como Palestrante em Brasília e Encanta Plateia
Leia também: Empreendedorismo Feminino na Bahia: 65% das Mães Aderem a Novos Negócios
Fonte: vitoriadabahia.com.br
A inovação do traje que aumentou as vendas
Inicialmente, Taires vendia sem se caracterizar. A ideia de se vestir como a Chiquinha surgiu de clientes que associavam seus pirulitos ao personagem do seriado Chaves e sugeriram que a fantasia poderia impulsionar as vendas. O resultado foi imediato.
“Sou tímida como Taires, extrovertida como Chiquinha”, define a empreendedora ao explicar como a personagem a ajuda a se expressar melhor nas vendas. O sucesso da fantasia se consolidou no Carnaval, quando, usando o traje pela primeira vez, esgotou rapidamente sua cesta de doces e conquistou fãs para fotos.
Hoje, Taires conta com várias versões do figurino e até roupas temáticas, que são seu uniforme de trabalho e ajudam a atrair clientes, especialmente crianças, pelos bairros do DF.
Rotina intensa entre vendas e maternidade
A jornada de trabalho começa na quarta-feira e vai até segunda-feira, principalmente durante a noite. Os bairros de Ceilândia, Guará, Taguatinga e Vicente Pires, além de clubes locais, são os principais pontos de venda, onde a personagem se destaca entre crianças e adultos.
Em alguns dias, a filha mais nova de Taires, de apenas 3 anos, acompanha a mãe nas vendas, também vestida como “mini Chiquinha”. Para Taires, conciliar a maternidade com o trabalho na rua foi um aprendizado constante. Durante a gravidez, manteve as vendas até os últimos meses, e mesmo após o nascimento, continuou trabalhando com a filha no canguru.
Leia também: Sebrae Hacking 2026 transforma Mato Grosso em polo de inovação com arenas temáticas
Fonte: ocuiaba.com.br
Empoderamento feminino e mensagem para outras mulheres
Apesar da rotina desafiadora, Taires incentiva outras mulheres a perseguirem seus sonhos e investirem no empreendedorismo como caminho para sustentar suas famílias. “Para todas as mulheres que querem empreender: não desistam. Vai pra cima. Trabalha. Faz o negócio dar certo para dar um futuro melhor para a sua família”, reforça.
Parceria que sustenta o negócio
A amizade e parceria com Kemerson começaram em 2016, logo após a chegada de Taires à capital federal. Kemerson foi fundamental durante momentos difíceis, oferecendo apoio financeiro e social. Atualmente, a venda dos doces é a única fonte de renda do casal.
“Nosso lucro vem dessas vendas, dos pirulitos e dos doces”, explica Kemerson. Apesar do alcance nas redes sociais, onde os vídeos que mostram a rotina da Chiquinha viralizaram, a maior parte da renda ainda depende da venda direta nas ruas.
Crescimento nas redes sociais e reconhecimento
O perfil @chiquinhadebrasilia começou com vídeos simples mostrando os doces e o dia a dia da empreendedora. Com o tempo, o “rolê da Chiquinha” pelo Distrito Federal ganhou visibilidade, valorizando o trabalho e aumentando o reconhecimento da marca.
Taires ainda se surpreende com o carinho das pessoas nas ruas. “As crianças correm para abraçar a Chiquinha e pedir fotos. É gratificante ver esse reconhecimento”, finaliza.

