Equipamentos que Transformam a Leitura
No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, os centros da Rede Territórios da Cultura, como os CEUs das Artes e os MovCEUs, reafirmam sua relevância no incentivo à leitura em todo o país. Esses espaços, localizados em áreas com menos oferta de bens e serviços culturais, desempenham um papel crucial ao aproximar o livro da rotina dos cidadãos.
Os CEUs das Artes, equipamentos públicos culturais estabelecidos pelo Governo Federal, estão distribuídos em diversas regiões do Brasil e possuem bibliotecas integradas em sua estrutura. Atualmente, existem mais de 300 unidades funcionais, oferecendo oportunidades valiosas para a prática da leitura. Além deles, os MOVCEUs, que são unidades móveis, levam livros e atividades culturais a localidades onde o acesso ainda é limitado.
Nos próximos anos, o Brasil contará com a inauguração de mais 227 CEUs da Cultura, atualmente em construção em diferentes regiões. Esses novos centros também incluirão bibliotecas, o que promete ampliar consideravelmente a infraestrutura pública dedicada ao acesso à leitura e ao universo dos livros.
A Transformação Através da Leitura
Em Pedro Leopoldo (MG), Ana Paula Villas Costa, gestora do CEU das Artes, testemunha de perto essa transformação e enfatiza a importância do espaço para a promoção da leitura. Segundo ela, “a biblioteca dentro do CEU das Artes faz com que a comunidade se aproxime do espaço e da leitura. Isso torna o acesso mais natural e acolhedor, fazendo com que as pessoas se sintam integradas ao lugar. Mais do que oferecer livros, fortalece o vínculo com a cultura e o próprio equipamento”.
Esse laço se constrói no dia a dia. Crianças, jovens e famílias passam a frequentar o local, muitas vezes tendo seu primeiro contato com livros em um ambiente não escolar. Consequentemente, a biblioteca se torna parte da rotina da comunidade.
A gestora relembra um episódio que exemplifica essa mudança: um grupo de estudantes que inicialmente procurou o espaço para uma tarefa escolar viu a experiência florescer. “A princípio, era algo pontual, mas o contato com a biblioteca foi tão enriquecedor que todo o grupo se interessou. Hoje, eles são frequentadores assíduos”, conta.
Um Espaço de Inclusão e Aprendizado
Em Jacobina (BA), a biblioteca do CEU das Artes se firmou como um ponto de apoio essencial para quem deseja estudar, ler ou simplesmente passar o tempo em um ambiente seguro. Carolina Maria, gestora do local, observa que o espaço abrange diferentes públicos e necessidades, adaptando-se à dinâmica da comunidade. “Estamos em uma região vulnerável, onde muitos jovens encontram aqui um refúgio para ler e estudar. A biblioteca funciona das oito da manhã até às dez da noite, e notamos que estudantes utilizam o espaço até durante o período noturno”, relata.
O espaço também cumpre um papel significativo na formação de hábitos de leitura. Muitas crianças chegam acompanhadas por seus familiares, buscando uma alternativa ao uso excessivo de telas, e assim passam a interagir com a leitura de maneira leve e espontânea. Dessa forma, a biblioteca se insere no cotidiano familiar, ampliando sua relevância na região.
Em São Félix do Xingu (PA), a biblioteca se destaca não apenas como um incentivador da leitura, mas também como um espaço de convivência comunitária. A gestora Patrícia Olauria argumenta que o impacto vai além do indivíduo, envolvendo toda a coletividade.
“A biblioteca no CEU das Artes não é apenas um acervo de livros. É um espaço vivo, que organiza a comunidade em torno do conhecimento e da cultura, promove a convivência e fortalece laços”, explica. Ela ressalta que o acesso gratuito ao conhecimento possibilita que pessoas de diferentes idades e contextos possam ter contato com a informação sem barreiras. “Isso democratiza o acesso, amplia horizontes e contribui para a formação do senso crítico, essencial para a vida em sociedade”, finaliza.
Leitura Como Parte da Vida Cotidiana
A presença de bibliotecas nos equipamentos da Rede Territórios da Cultura permite que o acesso ao livro se aproxime da realidade das pessoas. Nos CEUs das Artes, a leitura é integrada a diversas atividades culturais, formativas e comunitárias. Muitas pessoas que chegam ao espaço para participar de oficinas ou eventos acabam frequentando também a biblioteca. Esse contato frequente ajuda na construção do hábito de leitura ao longo do tempo.
Além da estrutura física, a atuação do Ministério da Cultura e o apoio do Governo Federal são vitais para garantir o funcionamento desses espaços, especialmente em regiões com alta carência de equipamentos culturais. “No nosso caso, o CEU está em uma área sem outras bibliotecas. Levar a leitura até as pessoas, em vez de esperar que elas venham atrás, faz toda a diferença”, destaca Ana Paula.
Em Jacobina, a composição do acervo também reflete esse compromisso. “Grande parte dos livros que temos é resultado de iniciativas federais. Isso foi crucial para estruturar a biblioteca e manter o espaço atuante”, afirma Carolina.
MovCEUs: A Leitura em Movimento
Se, por um lado, os CEUs das Artes garantem um espaço fixo para a leitura, os MovCEUs ampliam essa proposta ao levar livros e atividades culturais diretamente às comunidades. Com uma estrutura itinerante, esses equipamentos percorrem diferentes territórios, assegurando o acesso ao livro em regiões onde não existem bibliotecas ou espaços dedicados à leitura.
Cada parada proporciona uma experiência única: crianças exploram novas histórias, jovens conhecem novos autores e famílias se envolvem em atividades coletivas.
Em Mossoró (RN), o MovCEU organiza, ao longo de abril, uma programação especial em comemoração ao Dia Mundial do Livro. Entre as atividades programadas, estão apresentações teatrais, uma biblioteca itinerante, mediação de leitura e contação de histórias em um parque público da cidade, com o encerramento previsto para incluir uma palestra da escritora Ana Miranda. A expectativa é atrair cerca de 400 pessoas.
Esdras Marchezan, coordenador do equipamento, ressalta: “O MovCEU é uma ferramenta eficaz de democratização da cultura, da leitura e da educação”. Ele observa que o impacto é especialmente notável entre crianças e adolescentes que têm a oportunidade de acessar uma variedade de livros pela primeira vez. “Quando percebem esse acesso livre à leitura e à diversidade literária, isso é encantador”, enfatiza.
Em Roraima, o equipamento promove uma Semana Literária com atividades em parques, na Biblioteca Pública Estadual e em comunidades indígenas. A programação homenageia escritores locais, como Nenê Macaggi, e Programas voltados à valorização da obra de Monteiro Lobato. A coordenadora Katia Drummond destaca a abrangência do projeto: “O MovCEU é um equipamento cultural de extrema importância, que integra atividades com grande aceitação pela comunidade roraimense”. Ela recorda momentos marcantes, como o contato de crianças e jovens indígenas com livros pela primeira vez, relatando: “Quando observamos esse entusiasmo, é gratificante saber que estamos fazendo a diferença”.
Através da mobilização de livros e atividades em diversos territórios, os MovCEUs ampliam o alcance da leitura, provando que o acesso ao livro pode chegar onde antes parecia impossível.

