Ministro da Fazenda diz que responsabilidade pelo BRB é do GDF
O ministro da Fazenda, Durigan, deixou claro em suas declarações que a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) é uma questão que deve ser tratada exclusivamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Em suas palavras, “O problema do BRB é um problema do GDF. Não estou dizendo que a União não pode intervir, mas é essencial não perder de vista essa responsabilidade”. Ele destacou que o banco enfrentou dificuldades em operações que foram noticiadas na imprensa, o que resultou em sua fragilidade atual.
Durigan enfatizou que, na ausência de um risco sistêmico que ameaçasse o sistema financeiro maior, não deveria haver intervenção do Tesouro Nacional para corrigir problemas que, segundo ele, têm origem na gestão local. “Se não houver risco sistêmico, e se for apenas uma dificuldade específica do banco, existem mecanismos adequados para lidar com essas situações”, afirmou.
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O ministro ressaltou a importância de não utilizar recursos públicos para cobrir déficits que, segundo ele, resultam de gestões mal explicadas. “Essa discussão não pode ser varrida para debaixo do tapete como tem sido feito pelo governo do DF em relação à União, pois é uma responsabilidade que deve ser assumida pelo GDF”, acrescentou, sugerindo que soluções também poderiam ser encontradas no fundo constitucional do GDF, que é composto por recursos da União.
Críticas ao Caso do Banco Master
Sobre o escândalo relacionado ao Banco Master, Durigan não hesitou em classificar a situação como grave, ecoando a opinião do ex-ministro Fernando Haddad ao afirmar que se trata do “maior escândalo financeiro do nosso sistema financeiro”. O ministro da Fazenda apontou que a responsabilidade principal recai sobre a gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
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“A responsabilidade primordial, embora possa haver outras, é de quem esteve à frente do Banco Central e autorizou as operações do Banco Master, desde 2019 até 2024, durante a gestão anterior”, declarou Durigan, reforçando a necessidade de apuração rigorosa dos fatos.
As declarações de Durigan contrastam com os comentários feitos pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma audiência no Congresso em abril, Galípolo afirmou que a sindicância interna do Banco Central não encontrou evidências de que Campos Neto tenha agido em favor do Banco Master ou do seu banqueiro, Daniel Vorcaro.
Defesa da Aplicação Rigorosa das Leis
Durigan também aproveitou a oportunidade para defender que as leis precisam ser aplicadas de forma rigorosa no Brasil, independente de quem esteja envolvido. Ele lamentou o impacto financeiro gerado pelo ressarcimento dos clientes do Banco Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), lembrando que esse fundo é, na verdade, composto por recursos do próprio sistema financeiro e dos poupadores.
O ministro concluiu suas declarações ressaltando a necessidade de accountability nas instituições financeiras e a importância de se evitar que problemas de má gestão recaiam sobre os contribuintes, reafirmando que o GDF deve assumir a responsabilidade pela situação do BRB e agir para remediar a crise enfrentada pela instituição.
