Velório no Cine Brasília marca despedida de Gê Martú
Brasília perdeu neste fim de semana um dos nomes mais fundamentais das artes cênicas locais. O ator, diretor e locutor Gê Martú faleceu aos 89 anos, vítima de complicações causadas por pneumonia. Com uma carreira que ultrapassou sete décadas, Martú construiu um legado essencial para a história do teatro e do cinema no Distrito Federal.
O velório será realizado nesta segunda-feira (15), entre 13h e 17h, no foyer da Sala Vladimir Carvalho, no Cine Brasília. O espaço foi gentilmente cedido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal em homenagem ao artista.
Trajetória que ajudou a moldar a cena cultural brasiliense
Geraldo Martuchelli, conhecido artisticamente como Gê Martú, chegou à capital federal em 1971, quando Brasília ainda buscava firmar sua identidade cultural. Desde então, tornou-se presença constante e respeitada nas artes locais, participando de mais de 80 peças teatrais e cerca de 60 produções cinematográficas. Além disso, atuou como diretor, locutor e mentor de várias gerações de artistas.
Martú trabalhou com grupos amadores, universitários e profissionais, sem distinção, sendo reconhecido por sua generosidade e incentivo contínuo a novos talentos. Sua contribuição foi decisiva para a formação de atores e para o fortalecimento de espaços culturais que marcaram o teatro candango.
Reconhecimento e legado no teatro e cinema candango
Para o jornalista e dramaturgo Sérgio Maggio, a trajetória de Gê Martú é um fio condutor para contar a história do teatro brasiliense. “Qualquer celebração à trajetória deste homem de teatro é merecida. Pode-se contar a evolução do teatro de Brasília por meio da história de Geraldo Martuchelli. Ele é um elo entre o empenho dos amadores e o estabelecimento dos profissionais”, afirmou.
Entre seus trabalhos mais emblemáticos está a peça Bella Ciao, considerada um marco da cultura local e que lhe rendeu reconhecimento como ator. Martú também teve papel ativo no fortalecimento de espaços independentes, como o Teatro Oficina do Perdiz, referência importante na cena cultural da cidade.
Atuação dedicada até os últimos dias
Mesmo nos últimos anos, com a saúde fragilizada e em regime de home care, Gê Martú manteve-se comprometido com a arte. Continuou realizando locuções, participando de produções audiovisuais e orientando artistas em leituras e ensaios. Recentemente, colaborava na criação de uma nova peça da filha, a atriz e diretora Luciana Martuchelli.
Ao longo da vida, transitou pelo teatro, cinema, televisão e rádio, tornando-se símbolo de dedicação à cultura brasiliense. Sua trajetória está diretamente ligada à construção da identidade cultural da capital e à formação de inúmeras gerações nas artes cênicas.
Celebração da literatura local no lançamento de “Labirintos do Caos”
Em outro destaque da cena cultural, o espaço Caferante recebeu cerca de cem pessoas para o lançamento do livro Labirintos do Caos, da escritora e jornalista Fontele. O evento reuniu escritores, poetas, jornalistas, artistas, amigos e familiares, promovendo um ambiente vibrante de convivência cultural e troca de experiências.
Entre os convidados, estavam familiares da autora, como o escritor e produtor cultural Gustavo Dourado, o cineasta Gustavo Fontele Dourado, o professor doutor Elias Fontele Dourado, além de Milena Martins e o advogado Fontele de Lima Júnior, irmão da escritora.
Importância dos espaços culturais e circulação literária
Fontele ressaltou a alegria de compartilhar o momento com pessoas que acompanham sua trajetória e ajudam a construir sua história literária. A recepção oferecida pelos proprietários do Caferante, Everardo e Nancy, também foi destacada como parte essencial para o sucesso da noite.
Além da participação presencial, o livro tem despertado interesse nacional, com pedidos para envio pelos Correios, ampliando seu alcance para além do evento. A ocasião reforça o prestígio da autora e a importância da literatura como espaço de encontro, memória e celebração cultural.
